quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

As últimas

Bah, não tenho tido tempo de escrever e isso não é bom. Botar pra fora me faz tão bem. Bueno, no momento o que me tira do sério é uma infecção urinária maldita que faz eu me mijar nas calças a cada meia hora. Essa parte do kit tragédia, ninguém merece. Faz nove anos que tenho uma infecção atrás da outra, cultivo super bactérias, fico sem beber por conta dos antibióticos e gasto uma grana também com eles. No mais, mijo, mijo e mais mijo. Ninguém merece fazer xixi na cama aos 29 anos de idade! Já tentei de tudo, cramberry, profilaxia, bruxaria... Tomara que 2011 seja um ano menos infectado... Além do sr. xixi, uma contratura também maldita tem me encomodado bastante. É foda, sobrecarga nos braços e nas costas. Tô que é o corcunda de notre dame, com uma bola de tênis no esternocleidomastoide. Dói pra dormir, dói pra respirar, dói sem fazer nada. Saco cheio de dor física! Uma hora ela começa a atrapalhar a psiquê do ser.
Lamúrias à parte, hora de contar como foi a passeata em SP.
É sempre uma alegria ir pra terra da garoa, encontrar os amigos, e ficar na casa do meu amigão Sid. Coca cola, cigarrinho e bom papo. É sempre uma alegria estar com tio Sid! E dessa vez foi mais divertido ainda, porque minha amigona Cinthya, aleijada mto louca de Curitiba também foi pra passeata e ficou no hostel da Vila Maria, hehehe.

Chegamos um pouco atrasados na passeata mas foi massa igual, deu tempo de aproveitar bastante as atrações (eram muitas!). Foram dez horas de shows e manifestações. Como representante do movimento superação de Porto Alegre, fui convidada subir no palco e falar algumas palavrinhas.

No palco, trovando sobre superação

Fiz uma trova gaudéria:

“Não queremos esmola, e sim o direito de ir à escola.
Não queremos caridade, e sim o direito à oportunidade.
Não queremos olhares com cara de pena, e sim mostrar que a vida sempre vale a pena.
Não queremos complacência, e sim mostrar que competência e inteligência podem estar lado a lado com a deficiência.

Queremos acessibilidade para andar por toda parte, em qualquer cidade.
E pra fazer valer o que está na constituição, é que eu luto junto com o Superação.”

A galera do Superação Rio, do Superación e as outras filiais que estão brotando por esse Brasil de meu Deus também falaram.
Encontrei um amigão por lá, o Pastel. Quando vi ele estava com um crachá de imprensa. Estranhei, afinal o maluco não é jornalista nem nada. Ele aplicou um migué na produção pra poder circular no backstage. O retardo aqui decidiu fazer a mesma coisa e saímos para entrevistar as pessoas. Eu como repórter e o Pastel de fotógrafo. Começou como brincadeira, mas lembrei que podia usar aqui e no Sem Barreiras o material coletado!

Juju e Pastel com os crachás de imprensa

A "matéria" ficou assim:

O Movimento Superação se superou. A sétima edição evento em São Paulo reuniu centenas pessoas com e sem deficiência de vários estados do Brasil. O governador do Estado e a Secretária dos Direitos das Pessoas com Deficiência Linamara Rizzo Battistella estiveram lá. Será que em Porto Alegre este ano o Tarso vem?


São Paulo tem se esforçado para melhorar sua acessibilidade. Luis Mauch, da ONG Mais Diferenças que realiza junto com o Superação a Passeta, diz que ainda falta muito para a maior cidade da América Latina ser 100% acessível, mas muito já foi feito. Lá, já existe 650km de calçadas acessíveis, mas deve faltar 20 mil km para ser feito. Luis, acredita que é preciso comprometimento da sociedade e implementação das políticas públicas. "Falta as pessoas em geral entenderem que a acessibilidade melhora a vida não só das pessoas com deficiência, mas de todo mundo. Precisamos construir rampas subjetivas, na cabeça das pessoas, para que elas tenham comprometimento com a causa", diz.

Nos últimos anos, o Superação tem ganhado parceiros. O Movimento tem crescido, e cada vez mais rampas subjetivas tem sido construidas. Na Argentina, sob o comando o Pilar Nieva, o Superación já está em sua terceira edição. Cerca de 400 pessoas participaram da última manifestação. "O número dobrou em relação ao ano passado e triplicou o número de filiais", conta Pilar.

O Superação tem ganhado também apoio de artistas. No Vale do Anhangabaú, pudemos prestigiar os shows de Luiz Melodia, Baby do Brasil e também da banda NXZero. A banda teen animou a galera e colocou as fãs em contato com uma realidade desconhecida: a deficiência."

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Bum!

Mil coisas pra contar, sem tempo pra caralho pra escrever. Espero amanhã poder colocar as fofocas em dia! Babados da passeata do superação em sp, da semama de valorização da pessoa com deficiência em brasilia e outras aventuras de aleijado em poa!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Superaction em SP


Ae galera, a sétima edição da Passeata do Movimento Superação em São Paulo promete! Será uma verdadeira festa da diversidade para comemorar o dia internacional da pessoa com deficiência! Yeah, nós quebradinhos temos um dia, ôe! A data no calendário oficial é 03 de dezembro, mas a passeata rola dia 04!

A bagunça começa às 11h com concentração na Praça da República, saída 12h em direção ao vale do Anhangabaú e às 13h a tchurma toda chega no Vale e começam os shows. Sente as atrações: DJ´S Unidos, Banda Carrera, Juliana Caldas, Projeto Tupã, Rincon Sapiência, Manu Gavassi e NX ZERO!

Vai ser lindo e divertido! Estarei lá! Quem tá na pilha, dá uma olhada nas passagens pela Internet que sempre tem uma promoçã! Beijos e nos vemos na terra da garoa!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dança comigo?


Esqueça ideia de que cadeirantes e outras pessoas com deficiência não pode dançar. Sim, nós podemos. E nos dias 05 e 12 dezembro rola um curso para professores e estudantes de dança que tem interesse na dança acessível.

O curso com carga horária de 16 horas e investimento de 160 pilas será ministrado pela professora Carla Vendramim. Sente o currículo da mulher: Mestre em coreografia pela Middlesex University/Londres (2008). Pós-graduada em Dança Cênica, pela UDESC/Florianópolis (2002). Graduada em Fisioterapia pela Feevale/Novo Hamburgo (1997). Professora na escola West Lea (Londres) com crianças do ensino especial (2010). Professora assistente em vários projetos da Companhia de Dança Candoco: Foundation Course (2005-2007), ADAPT Project (2007-2008), Youth Company (2008), Londres. Trabalhou com as Cias Dance Art Foundation, Entelechy e a escola Newvic onde croui projetos de dança com pessoas com deficiência intelectual do Centro Markhouse.

A Carla também está recrutando voluntários e pessoas com deficiência para participar gratuitamente de dois workshops também nos dias 05 e 12 de dezembro das 09h30 às 11h. Bóra lá aprimorar o rebolado!


Carga Horária: 16 horas
Dias: 05 e 12 de dezembro/2010
Horário: das 09h às 18h
Local: CEC - TERPSÍ - Museu do Trabalho - sala de dança - Rua dos Andradas, 230 - Porto Alegre
Investimento: R$ 160,00
Público Alvo: Pessoas com e sem deficiência, com ou sem experiência em dança, professores de dança, professores de artes e estudantes de dança.
Realização e Inscrições: Terpsí Teatro de Dança - www.terpsi.com.br
Maiores Informações: terpsi.contato@yahoo.com.br | (051) 9306-0982
http://www.carlavendramin.com

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Na correria

Ontem o dia foi beeeem cheio. Pela manhã, dei uma palestra na Escola Municipal de Ensino Fundamental Mário Quintana. Falei com os educadores da escola pública que fica na Restinga. Nossa conversa foi apenas uma das atividades da II Semana Mojúodara (palavra do idioma africano yorubá, cujo significado é “belo saber”).

Fiquei encantada com o projeto político-pedagógico da escola, que trata dos processos anti-discriminatórios. Além das diferenças étnicas, questões como diferenças sexuais e religiosas também são abordadas.
Na minha participação, falamos sobre acessibilidade, direitos das pessoas com deficiência e sobre sexualidade. Devo voltar na escola para conversar com os alunos. Dividi com os professores um pouco da minha história e é impressionante como ajudar os outros alivia nossas prórpias dores.

No mais, trabalhando essa semana numa pauta super polêmica: a descriminalização do aborto.

Ainda meio sequelada da divertida noite de ontem. Zero de Conduta com as amigas, bem bom!

domingo, 31 de outubro de 2010

Maratona de Palestras

Hoje rolou uma na feira do livro. Dia 04 é na Fiergs e dia 06, feira do livro again.


Na feira do livro

Título do evento: Na minha cadeira ou na tua?
Vida sexual e social dos cadeirantes
Local: Sala O Retrato - CCCEV - Área Geral
Dia 06/11 Hora: 18:30

Sessão de Autógrafos
Local: Praça de Autógrafos - Praça da Alfândega - Sessões de Autógrafos
Dia 07/11 Hora: 15:30

Ah, Joinville...

Viagem fooooda. Conheci pessoas incríveis. Me diverti horrores dando uma palestra na AACD/ARCD de Joinville. Me diverti horrores bebendo com a galera depois da palestra. E, me encantei com um fofo de sorriso lindo e coração mais lindo ainda.


Dando entrevista pra Renata Seliprim do Jornal do Almoço SC


Palestrando


Com a enfermeira Gislaine da AACD/ARCD, que me convidou para palestrar e foi uma anfitriã fantástica - ela é demaaaais!


Fazendo palhaçada com o cadeirante Vilmar


Liz, gente boníssima, eu e o fofo

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O VOTO E O VETO

Yeah, eu adoro um trocadilho. Bueno, quero falar das eleições. A motivação veio de duas situações, uma foi este comentário do leitor do Sem Barreiras, o Luiz Fernando de Moraes:

"O VOTO
No Brasil, o voto é obrigatório. Melhor seria se fosse facultativo. Muito mais democrático. Vai até a urna quem realmente deseja votar. E o TSE, o TRE, a imprensa, todos incentivam os eleitores no sentido de exercer seu direito. “VOTE”. E lá vamos nós, por volta de 135 milhões de brasileiros rumo às urnas. Quando mudei para o bairro Teresópolis, providenciei a transferência de meu título para seção mais próxima. Ex Colégio Cruzeiro do Sul, ex Faculdade Ipa, seção 479, zona 114, na Rua Arnaldo Bohrer. Detalhe. Local com acessibilidade universal, visto que há vinte e seis anos utilizo uma cadeira de rodas. Como houve a mudança da Faculdade Ipa daquele local, o TRE realocou os eleitores para a Escola Ceará, na mesma rua. Pois bem. Fomos eu e minha esposa exercer o tal direito do voto. Acesso até o prédio onde foi instalada a seção bastante acidentado, mas ultrapassado sem problemas. Ao chegar, surpreendentemente cartaz na parede indicando a seção 479 no andar superior. Minha esposa subiu e conversou com a Presidente da Mesa. Atenciosa, desceu e sugeriu que minha esposa votasse por mim. Contrariado, agradeci a tentativa de solucionar o constrangimento mas preferi não votar, transferindo a responsabilidade para o TRE, já que o próprio órgão não atentou para o detalhe quando da transferência, não me permitindo “exercer o tal direito”. Em tempos de facebook, twitter, redes sociais, em tempos de urna eletrônica, eleição biométrica, olheiros italianos na eleição brasileira, o TRE/TSE não conseguiu disponibilizar acesso universal para um eleitor ppd. Não vou entrar na paranóia do preconceito. Mas não posso deixar de considerar um absurdo. Sou servidor público, e como tal, odeio quando alguém generaliza, nos chamando de ineficientes. Mas o que dizer do servidor que, ao realocar os eleitores da seção 479 não observou se havia algum caso especial? O banco de dados do TRE não possuía a informação?
Com a palavra, o TRE."

A outra é inspirada na matéria que fiz pro Jornal da Assembleia sobre a acessibilidade nas eleições. Por coincidência, também voto no colégio Ceará e fui com a equipe da TV mostrar a falta de acessibilidade do local - veja bem, uma escola pública. Consegui votar porque minha seção ficava no primeiro andar, mas tive que pedir ajuda várias vezes para vencer rampas íngremes, desníveis, degraus...

Como no Brasil as leis são lindas no papel e inexistentes na prática, existe duas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral que visam facilitar a vida das pessoas com deficiência na hora do voto. A primeira garante ao eleitor com deficiência o auxílio de pessoa de sua confiança para votar sem ser necessário requerimento antecipadamente ao juiz eleitoral. Também prevê a existência de recursos auxiliares para pessoas cegas como sistema de áudio, identificação em braile e a marca de identificação da tecla 5 da urna eletrônica.

A outra resolução determina a criação de seções eleitorais destinadas a eleitores com deficiência. Pela norma, elas devem estar em locais de fácil acesso, com estacionamento próximo e ter instalações dentro das normas de acessibilidade. Para votar nessas sessões especiais, os eleitores deveriam fazer uma solicitação até o dia 5 de maio. O problema é que a maioria das pessoas não foi informada há tempo de fazer a transferência. Foi o caso do meu amigo Rafa que tem baixa visão. Sem saber do prazo para a transferência acabou tendo que votar sem o recurso do áudio disponível. Se ele digitou algum número errado, deu voto pra pessoa errada.

Como a acessibilidade não se resume a questões arquitetônicas, para fazer a matéria também acompanhei um casal de surdos, a Ana e o Augusto. A ideia era conferir se os mesários estavam preparados para receber qualquer pessoa com deficiência.

A constatação foi triste: o despreparo era geral. Primeiro, as mesárias se dirigiram à mim ao invés de se dirigirem à Ana. Perguntaram se ela sabia assinar o próprio nome. Depois, Ana perguntou às mesárias onde deveria votar. A cara de espanto das mesárias só desapareceu depois que fiz a tradução. Ana reclamou da dificuldade de comunicação. Quando acompanhamos o Augusto, mais uma vez perplexidade no rosto dos mesários enquanto ele sinalizava usando a língua brasileira de sinais. E, ele reclamou a falta de uma intérprete.

Definitivamente, falta muito para melhorar e a revolta quanto à falta de acessibilidade não se resume apenas às pessoas com deficiência. Conversei com outros eleitores e eles tem noção do que a gente passa. Só falta o Estado perceber. Porque para alguns existe o direito ao voto e aos outros só resta o veto?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A mulher dos efes e otras cositas más

Fumando um cigarrinho com minha amiga Mimi e falando sobre os 'poblema' da vida, chegamos a conclusão que na atual conjuntura eu sou "a mulher dos efes" (a letra F no plural mesmo). Fina, famosa e falida. Fina porque a vida de pseudo escritora tem suas benesses (na sequência narro um exemplo), famosa porque até no Donna Fashion eu desfilei (hahaha), uma amiga que é estilista participou do evento de moda e como ela fez seu tcc sobre moda inclusiva e adora fazer roupas liiindas pra quebradinhas, me convidou pra participar. Meninas, ela tem o dom, bom gosto mesmo e estudou nossas especificidades, então a roupa é perfeita! Dá uma olhada na coleção e na desenvoltura do aleijado na passarela: A coleção de Vitória Cuervo e Vitória Cuervo emociona no Donna Fashion Iguatemi. Finalmente, o F de Falida porque nunca estive tão quebrada em toda minha vida de adulta que paga as próprias contas. Meses gastando mais do que eu ganho resultaram num rombo bancário incrível. Comecei a missão "saindo do buraco" com a ajuda da mana Vivi, organizando os números que eu simplesmente ignorei nos últimos anos e tomando ciência de quanto ganho e quanto gasto. Sim, é um problema antigo a desorganização financeira, mas estou melhorando. Enquanto isso a crise das cifras rende histórias hilárias.

Por partes como nosso amigo Jack.
Vou começar pelas benesses da vida de pseudo escritora.
Dias atrás fui pra SP com tudo pago participar de uma feira muito massa chamada Equipotel. Quem me convidou/patrocinou foi a Arco, empresa de sinalização universal, que está trazendo para o Brasil um produto de acessibilidade muuuuuito foda: o profilo Smart. Design italiano, funcionalidade total e uma versatilidade incrível. Além de fazer fotos demonstrando o produto, autografei na feira e tal. Bueno, fiquei num hotel e conheci uma pessoa sensacional, a Sonia, representante de vendas internacional do profilo. A mulher nasceu na Tunísia, cresceu na França, casou nos States e hoje mora na Itália. A Sonia é definitivamente uma pessoa incrível, poliglota, humilde, querida e com ambições semelhantes às minhas: quer se tornar um ser humano melhor. Na feira, encontramos minha querida amiga Jenny, que recém se mudou pra SP, a empatia entre nós três é uma coisa inexplicável e foi uma tarde agradabilíssima.

Jenny, Sonia e Ju

No dia seguinte, feira de novo. Conheci alguns arquitetos que estavam com um ambiente na EquipDesign que contava com o profilo e um deles, o Flávio, tinha lido meu livro. Ficamos super amigos e eles falaram para aparecer no coquetel da Racco quando no final da tarde. Maratona de feira encerrada, fomos Frederico, Sonia e eu tomar champa por conta da empresa que fabrica lindas louças. Sei lá se foi pouca comida, mas o espumante pegou... Começamos a tirar fotos e alguém disse para eu tirar uma foto dando selinho no meu novo amigo arquiteto. Bêbado é foda, tu manda, ele faz. E às vezes vai além. Sei que tem várias fotos na câmera da Sonia da louca aqui dando uns beijões no cara. Com o batom borrado, bebaça, fui levada para hotel pelo Fred e a Sonia. No caminho me senti enjoada, sempre falando com meu precário inglês (a Sonia ainda não fala português), pedi uma sacola com urgência. Fred alcançou o lixinho do carro e eu vomitei. Chegando no hotel, os dois me colocaram na cama, o saco de batata aqui não tinha condição nem de fazer uma transferência. Eterna teenager, tsc, tsc. O Fred paga minha ida pra eu pagar bafão no evento agarrada num arquiteto, vomitar no lixo do seu carro e ele ainda ter que por a criança pra dormir... No dia seguinte, descobri que perdi meu celular no trago e quando me despedi do Fred ele disse: 'tchau, moleca!' Como o homem já tinha lido meu livro, disse que não ficou chocado e isso não atrapalhou nossos negócios. Vou fazer assessoria de imprensa pro Profilo e talz.

Ainda em SP. Do hotel, segui para casa do meu amado amigo Sidiiiiiii, o George Clooney aleijado. Passei o dia maaaaal, ressacão fudido. Sidi achou um camarão velho, a maconha devia estar guardada há uns dez anos. Fissura é foda, ele fechou e fumou. Não tinha condições físicas de dar uns pegas então só observei. Continuamos fofocando, falando da vida enquanto Sidi Maria organizava a casa. Ele estava dobrando roupas quando a erva começou a dar o brilho e de repente pegou um pulôver ridiculamente pequeno para um homem de 56 anos. Sabe quando tu lava roupa de lã e põe no sol, dai ela encolhe e fica perfeita para uma criança de 5 anos? E isso aconteceu com dois blusões dele. Nem precisei fumar pra quase me cagar de rir. Tinha que ver a cara do hômi segurando o mini pulôver.

Dia seguinte, emocionante. Madame e Iguinho nos pegaram na casa do Sidiiii e fomos para Porto Feliz pro casamento do nosso amigo cadeirante Tatá. O comandante Tales caiu de helicóptero há quatro anos e ficou paraplégico. A noiva Bia estava liiiiiiinda demais e eu chorei horrores ao ver o Tatá entrando todo esticado na sua cadeirinha. Foi o primeiro casório de quebrado que eu fui e foi inevitável imaginar o meu se algum dia eu casar. Cerimônia linda, festa perfeita, comida maravilhosa. Depois do bundalelê, dormimos os quatro na chacrinha da família do Tatá e no day after teria churrasco. Não sei se foi o carpaccio, ou o creme de camarão ou a mistura de todas as delícias, mas acordei e fui fazer um cate e quando vi, tinha produzido um creme de pé de múmia com sopa de lixo. Se cagar nas calças já é humilhante, imagina quando isso acontece fora de casa, depois de um casamento fino, quando tu está num lugar com um monte de gente que tu mal conhece. Como perdi meu celular gritei pela Madame. Aliás, a Madame vai pro céu e vamos fazer um busto em sua homenagem. Imagina uma mulher pequena montando e desmontando três cadeiras. Sim, porque ela era a única andante do quarteto. Teve que ajeitar todas as cadeiras no carro pra viagem. Na igreja, tinha uma rampa mega íngreme. Na saída do casório só ficou ela pra descer os quebrados. Como Madame não se mixa, tirou o salto e usou os tríceps pra descer um por um dos três... E, no momento fatídico do terrível acidente gastrointestinal, lá foi a Madame me ajudar.

Sobre as histórias hilárias que a crise financeira rende, parte 1.
Perdi meu celular numa quinta, no trago em SP. Só consegui comprar outro na terça, já em Porto Alegre. Fui no Barra com minha mana Vivi, um dos poucos lugares que ainda tem uma loja da TIM. Cheguei lá e escolhi um da LG que tava em promoçã, mas mesmo assim era caro. Vai entender porque uma pessoa que está sem dinheiro escolhe um aparelho caro... chama o psiquiatra. Bueno, depois de meia hora de trâmites, fui pagar a porra do celular com o cartão de débito do HSBC (ia usar o resto do cheque especial que me restava) e a maquininha não aceitou a transação. Tentei passar mais umas três vezes e nada. Não tinha crédito. Pedi licença e fui no caixa do banrisul que tinha ali no shopping pra sacar mais uma reba de dinheiro, os últimos reais que eu tinha de crédito no cheque especial desse banco. Dava pra pagar metade do celular com o que saquei. Voltei pra loja e tentei passar metade no débito do HSBC e ia pagar a outra metade em dinheiro. Igual não deu pra passar o cartão. Umilhada, com U mesmo, que pobre não tem acesso ao português correto (isso foi bem preconceituoso, hein?) tive que escolher o aparelho mais barato da loja, que custava metade do LG e daria pra pagar com o dinheiro que eu tinha sacado.
Eu estava esperando pra fazer a troca quando um cara que também estava na loja me abordou. Delicadamente ele perguntou o que tinha acontecido, porque eu havia trocado de aparelho. Disse a verdade: meu cartão não passou, acho que estou falida. Nisso, numa atitude que a gente só costuma ver em filmes ele falou: deixa eu pagar a diferença pra ti. Num misto de vergonha e nervosismo me deu uma crise de riso. E, mostrando o piano, falei que não, que bem capaz. O gentil moço, que se chama Sinue Zardo (é preparador físico, foi jogador de futebol e estava indo pra Corea para morar e trabalhar lá no dia seguinte) insistiu. Ainda rindo disse que não de novo, que imagina, que como eu ia pagá-lo se ele estava indo pra Corea. Nisso, a vendedora da Tim, que acompanhava a cena de camarote com sorriso de Monalisa na cara, não se segurou e intercedeu: 'aceita!'. O embate entre Sinue e eu, deixa eu pagar, não deixo durou mais alguns minutos. A Vivi, que foi na parceria comigo e já estava louca de tanto esperar ia ter um colapso se aquela punheta demorasse mais algum tempo. Cedi ao apelo da gentileza e aceitei, sempre sem conseguir parar de rir, mas peguei a conta dele pra depositar assim que recebesse meu salário. Trocamos cartões e já alguns e-mails e posso dizer que tenho um novo amigo que me proporcionou uma das cenas mais surreais dos últimos tempos, coisa de filme mesmo.

Sobre as histórias hilárias que a crise financeira rende, parte 2.
Tenho que trocar de carro urgentemente, manter o Passatão custa muito caro. O motor 2.0 turbo toma mais gasolina do que eu consigo ingerir de tequila numa noite, trocar qualquer peça custa uma fortuna, o seguro é caro pra cacete (motivo pelo qual eu não fiz seguro...) e assim vai. Tempos atrás, num momento único de manetice, consegui descolar a saia (aquela parte que vai embaixo do para-choque) do Passatão. Sem dinheiro pra arrumar, um colega da AL deu uma enjambrada e assim a coisa ficou. Ontem pela manhã, em novo momento de manetice acho que estraguei a enjambrada, mas não deu pra perceber. À noite, tinha o vernissage da Show Lux, onde minha mãe que é ceramista estava com uma luminária. Não pude ficar no evento porque não tinha uma porcaria de garagem perto e não tenho seguro... Deixamos mami lá e a Vivi e eu estávamos voltando pra casa quando um barulho bizarro nos apavorou. A porra da saia soltou de novo e estava arrastando no chão. Quase sem gasolina, perdida na zona norte e varrendo a cidade, fomos em busca de um posto. A Vivi, nessa altura já chorava de rir da situação e comparou o passatão àqueles caminhões varre tudo, sabe? Paramos pra pedir informação e descobrir onde era o posto mais rápido. A pessoa que nos deu as coordenadas, tomou um choque quando viu o estado da frente do carro e largou "bah, tem uma coisa pendurada aqui!"
Seguimos caminho, varrendo a cidade com um barulho super agradável de destruição da peça pendurada. Na esquina da Cristovão, onde deveríamos dobrar, no chão à nossa frente tinha (não sei porque cargas d'água) um potão de frango fechado. Veio o primeiro carro e atropelou o bagulho, o segundo, terceiro e o pote saltava despedaçado. A Vivi, quase colapsando de rir. Dobrei a esquina e o varre varre foi arrastando o que sobrou do pote até o posto mais próximo, graças a deus, bem próximo.
A cara do frentista era algo. Chega um passatão com a frente caindo aos pedaços e a motorista além de pedir ajuda pra tentar arrumar o estrago pede pra por míseros dez pilas de gasolina. A crise tá foda! Tivemos que subir no negócio de trocar óleo, tamanho era o estrago na saia. O detalhe é que eu não tinha a menor ideia de quanto o cara poderia cobrar pelo conserto e não tinha dinheiro pra pagar, ôe! Depois de uns quinze minutos ouvindo barulhos estranhos, o gentil frentista nos baixou do troço de trocar óleo e explicou que tinha dado uma enjambrada (mais uma!) mas que a peça estava destroçada e que eu deveria procurar uma oficina logo. Sem saber ainda como iria pagar, agradeci imensamente e perguntei quanto lhe devia. 'Nada', o homem falou. Definitivamente, tenho mais sorte que juízo (e no momento, que dinheiro).

sábado, 4 de setembro de 2010

A primeira a gente nunca esquece

A primeira passeata do superação foi foda! Nos dois sentidos. Foi foda de bom pq a foi uma galera muito guerreira. Porque foi lindo invadir o brique apitando e tocando as cadeiras. Foi foda de ruim, porque aconteceram algumas merdas. Tipo, até o carrinho do churros explodiu. Parecia um filme, as pessoas voando, gritaria, queimados, ambulância, bombeiros e carro de polícia. Pobre das crianças, nunca mais vão encarar o petisco com mu-mu. Outra coisa foda, foram contratempos da produção. Acabei não preparando o mestre de cerimônia que soltou algumas pérolas. Tipo, aos berros, "TODO MUNDO TIRA O PÉ DO CHÃO!" E os cadeirantes só se olham. Outra, "TODO MUNDO NA PALMA DA MÃO!" E, os amputados de membros inferiores e tetraplégicos no vácuo. Só faltou gritar "quem tem mão, bate palma!"
Ai, tem que rir pra não chorar. Mas, a melhor foi sem dúvida ele chamando presidente do movimento superação (que se chama Billy): "Agora, vamos passar a palavra pro BIGGY!"
Hahahaha. Quase chorei.
Tirando a parte tragicômica, foi foda que uma das bandas (justamente a da minha amigona Pi) acabou não tocando por causa da confusão na produçã. Foda.
Entre mortos e quebrados, todos sobreviveram e foi linda a chegada ao Monumento ao Expedicionário. Ano que vem tem mais. E prometemos melhorar. Né, Biggy?





Pra ver todas as fotos, clica aqui.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

humpf...

A beira de um ataque de nervos. Tô cansada, estressada e meio deprê. Quase acreditando que sou bipolar. Porque as vezes me sinto profundamente bem e as vezes me sinto com o saco tão cheio de tudo que até os milésimos de segundo custam a passar. Vai saber o que passa, né? Talvez seja só uma infecção urinária escrota, ou os fios de cabelo branco e rugas que organizar uma passeata causa, ou a tensão com a recuperação da minha maninha que acabou de fazer uma cirurgia de correção de face, ou o caralho. Ou tudo isso junto e misturado mais uma paixonite que está durando além do que deveria e sendo menos correspondida do que merece. Sei lá. Férias com a família e caipirinha na beira da praia são a solução. Fui.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Finalmente, Superação em POA!!!!

Depois de quase dois anos planejando, finalmente vai rolar a passeata do movimento superAção em Porto Alegre!!!!!
Bóra bombar na web a informação e fazer barulho na redenção dia 22 de agosto!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

50 anos em 5

Tenho um amigão que está implementando na própria vida o projeto de governo do JK. Sabe aquela história de cinquenta anos em cinco? Bueno, para uma cidade isso até pode ser bom, mas para a saúde... Ser ou estar 'JK' é dormir pouco e viver num ritmo frenético. É envelhecer 50 anos em 5.
Well, ando meio JK nos últimos dias. Porque pra mim é tão fácil sair do trilho? Lá estava eu toda regrada, fazendo 'acadimia' e tudo mais. Em pouco tempo já estou vivendo loucamente outra vez. As últimas aventuras:
- quinta passada fui à Curitiba participar da inauguração de uma consultoria especializada em inclusão: a Adaptare. Tava muuuuito legal, uma das sócias é uma pessoa incrível. A Mi, já tô íntima, sofreu um acidente de carro com 17 anos, hoje tá com 36 e tem várias histórias pra contar. Empatia total. Amei conhecê-la. Mas, nesse vuco vuco, trabalhei feito cavalo na quarta pra viajar na quinta, viajei, dormi duas horas e pouco, acordei às 5h pra voltar pra porto, do salgado filho fui direto pra academia, depois pro trabalho e aquela loucura. Sai no sábado, e tchan tchan, fiquei com aquele cara da califórnia que citei no post abaixo. Tão, tão, tão querido. Ficamos até às sete da matina falando merda, falando sobre a vida, não falando nada... Vejamos o que acontece.
- segunda feira rolou a despedida da minha amigona Jenny :C Chuif, ela foi pra Chicago e de lá vai morar em SP. Nos veremos em setembro. Hoje vou no bar onde nós sempre íamos juntas. Vai ser estranho não encontrá-la lá. Bueno, mas de volta a despedida, jantamos sushi e depois fomos pro girasole. O crhonos tava lá, sabe o cara que entorta colher. E ele fez o truque comigo, bizarro, funciona mesmo! Bem, sei que de novo não dormi, só passei em casa troquei de roupa e vim trabalhar. é Juju JK. Hoje tem bar de novo! Eu prometo minha gente, que se for eleita...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ela é tudo pra mim


Diz se a minha afilhada não é a coisa mais fofa do mundo. E com apenas três aninhos ela já aprendeu a dizer "Oi, tudo bom?" em LIBRAS. Fofura demais. Amo. Amo. ampo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Só coisas boas




Faz um tempo que não consigo escrever por aqui, mas tenho várias boas notícias para dividir. Por partes, como nosso amigo Jack:
1. Faz um tempinho que a RBS está me 'namorando'. O primeiro flerte rolou depois que dei uma entrevista na TV Com pra Tania Carvalho. Depois do bate papo a entrevistada disse que um tal de Gerson queria falar comigo. Sai do estúdio e fui em direção à redação da RBS TV esperar o Gerson. Supus que fosse um estagiário que queria me dar um café ou algo assim. Bueno, o fictício estagiário é um dos chefões e queria me conhecer. O hômi disse que tinha já ouvido falar bastante da pessoa aqui e que tinha curtido minha espontaneidade do vídeo, que eu fotografava bem na tela e talz. E quem sabe... daqui um tempo seria legal fazer um teste... Enfim, rolou um belo flerte.
A segunda paquerada do grupo de comunicação rolou quando a Thiana Duarte, do RH pediu meu telefone para um amigo cego meu. Marcamos uma conversa antes de eu ir pro Sarah. Foi beeeem legal. Levei um livro pra ela, que encheu os olhos d'água enquanto eu contava minha história. A guria é um amor de pessoa e quer muito me colocar lá dentro. A RBS assim como muitas empresas ainda não conseguiu completar o quadro de funcionários com deficiência que a lei manda. Bom pra mim e outros quebrados comunicadores, huohuohuo. Bueno, depois dessa entrevista deixei meu curriculo e logo que voltei do sarah rolou a terceira namoradela. A galera da Zero Hora me chamou pra uma entrevista, foi bem bacana também. Uma das editoras adorou a criatividade do título do meu livro e do blog, conversamos bastante, expus minhas sérias intenções de abordar a questão da inclusão no que eu fosse escrever e talz. Com tanto namoro, logo sai casamento, né? Não vejo a hora!
2. Nunca é tarde para aprender novos idiomas, certo? Pois bem, começo um curso de LIBRAS em agosto junto com minha amiga Ka. Estou super empolgada com a história. Produzimos pouco tempo atrás um programa sobre surdez e entrevistei algumas pessoas surdas. Agora tenho duas novas amigas que não escutam! Eeeee, foi tão legal conseguir me comunicar com elas ainda que isso tenha levado tempo. Aprendi já algumas coisas: palavrões e palavras sujas! Faremos o ladies nigths das LIBRAS para praticar.
3. Nunca é tarde para aprender novos idiomas - parte 2. Meu português é tacanho, eu sei. Mas, gente, o meu inglês é de indiano. Ruim merrrrmo. Mas, como a plasticidade cerebral ainda existe, estou aprendendo o idioma com uma nova e fantástica amiga: a Jenny. Conheci ela no bar Zero de Conduta, de um amigão meu. A Jenny e eu temos muitas coisas em comum além da falta de controle perante o álcool. Tenho ido seguido no bar e sempre são noites incrivelmente agradáveis. Fizemos um ladies nigths internacional na sexta. À mesa: Jenny - que é de Chicago e está no Brasil faz dois anos, Mauren - que é do Colorado e está no Brasil faz três anos, Victoria - neozelandesa que está aqui faz 3 anos e as brasileiras Mimi, Tami e Ju. Papo de mulher, não adianta, só sai merda!!! Aprendi como se diz 'peido de buça' em inglês. Hahahahaha. Fora as baixarias, descobri que a Jenny tem o mesmo mestre que eu! Foi catártico. Estávamos filosofando e eu falei sobre o Maho - meu guru. Na hora, o cérebro dela quase derreteu e saiu pelas orelhas. 'Caralho, Maho!' Olha como a vida é louca. E apaixonante.
4. Falando em paixão, sábado no Zero conheci um cara muito interessante. Jornalista, californiano está no Brasil faz um ano. O cara tem a maior pinta de nerd mas é muito shanareagon, sei lá, não sei explicar. É uma pessoa muito interessante mesmo. Falei do livro e ele disse que vai comprar pra ler. Quem sabe a gente se cruza no boteco essa semana. Ah, detalhe xarope: tem namorada. É incrível, todos os caras que eu acho interessantes já estão casados. Não sou ciumenta. Huohuohuo.
5. Faz pouco tempo fui no lançamento do livro do meu amigo Daniel Galera, ali na palavraria. Bueno, na fila, bem na minha frente estava o Giba Assis Brasil, montador que é um dos sócios da Casa de Cinema. Troquei uma rápida ideia com ele, falei do livro e talz. Bem, ontem estive lá na e levei o livro pra ele. Contei um pouco da minha história e de quanto eu acreditava que ela rende um longa. Em apenas dois encontros deu pra constatar que o Giba é uma das pessoas mais doces e acessíveis que eu conheço. Ele vai ler. E eu vou torcer.

Por enquanto é isso. E força na peruca que tá um frio do caralho aqui em Porto.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Kamasutra Cadeirante

Pelo bastante que já conversei com homens que tiveram lesão medular, antes de saber se algum dia vão voltar a caminhar, sua primeira preocupação é saber se o Jonny vai funcionar. Sério, geralmente, é a primeira preocupação. E a ânsia de ter essa resposta é tanta que já ouvi alguns causos hilários. Imagina um cara no hospital todo quebrado - inclusive com o pescoço quebrado - de colar cervical, com menos de dois meses de lesão, pedindo pra namorada abrir sua fralda e brincar pra ver se o bicho sobe. Agora imagina a cara de alegria do moleque ao constatar que, oba, funciona!

Bueno, passada essa primeira fase de apreensão o “kit tragédia lesão medular premium” começa a se mostrar. Só subir já não é o suficiente. O cara começa a lembrar como era bom fazer de pé. E, como era bom fazer com a menina de quatro (reza a lenda que é a preferidas dos muchachos). Ele está lá todo saudoso dessas posições, quando ‘tchan’ tchan’, surge o super INTIMATE RIDER para revolucionar o kamasutra cadeirante! Yeah! Conversando com os guris que estavam lá no sarah, tomei conhecimento deste super acessório que facilita a vida do quebrado entre quatro paredes.

O brinquedinho consiste numa cadeirinha que possibilita um vai-e-vem gostoso, ôe! O cara transfere da cadeira de rodas para o INTIMATE RIDER e a cousa pega fogo. Acompanha a cadeirinha uma mini caminha que é para a menina utilizar e possibilitar várias posições. Saca as fotos.






O brinquedo custa menos de 300 dólares na SportAid e no Brasil tem um maluco vendendo por este blog. Jogue ‘INTIMATE RIDER’ no youtube e assista o vídeo com demonstração do produto.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pipi nas alturas

Tenho um causo bizarro para narrar. Estava eu no avião, voltando pra Porto Alegre, quando minhas pernas sinalizaram que eu deveria fazer xixi. Bueno, chamei a aeromoça que veio com uma cadeirinha de rodas ridícula que a companhia aérea disponibiliza na aeronave. A cadeirinha é minúscula, estreita e mal cabe uma nádega da pessoa no acento. Um pega nos braços, outro embaixo dos joelhos. Me transferiram para a bendita silla. Fui guiada, me segurando onde dava, morrendo de medo de escorregar, me equilibrando no hemisfério direito do glúteo esquerdo. Adivinha se a cadeirinha entrou no banheiro do avião? Claro que não! Aliás, eu acho de uma cara de pau sem tamanho ter um adesivo com o símbolo da acessibilidade colado na porta daquela espelunca que mal suporta um ser humano de estatura mediana. Obesos, pessoas altas e cadeirantes são privados de urinar durante o voo ou então são obrigados a fazer pipi de forma grotesca. Tirem as crianças da sala. Vou contar como tirei a água do joelho a sei lá quantos mil pés de altitude. Pedi pra aeromoça fechar aquela cortina que elas usam pra preparar o serviço de bordo, sabe? E ali atrás, comecei o procedimento de sondagem. Pensa numa cena constrangedora, pensa. Agora multiplica por mil, eleva ao quadrado… Como eu estava muito mal equilibrada na cadeirinha ridícula, uma das aeromoças (eram duas na cena) ficou acocada na minha frente, segurando minhas pernas. Ainda vestida, comecei a separar o material para fazer pips de quebrado: sonda, xilocaína, gaze, água boricada, saco coletor… A cara delas de espanto era algo. Quando peguei a seringa da oxibutinina, faltou perguntarem se além de paraplégica eu era junkie. Tudo pronto, começei a baixar as calças, e fui obrigada a passar a sonda no ‘escuro’. Não usei o espelho que sempre uso porque se eu tirasse completamente as calças a berenice ia ficar cara a cara com a aeromoça que segurava minhas pernas. Diz, se eu ou qualquer outro cadeirante merece isso?! Diz, também se a aeromoça merece ter a genitália dos passageiros a cinco centímetros da sua cara?! Por favor! ‘Zorra’, o que custa fazer um banheiro maior? E aí sim, colar a porcaria do adesivo azul com a cadeirinha branca.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pintando o sete

Alguns desenhos que fiz ao longo das internações aqui no Sarah na aula de artes gráficas, usando um software muito massa que se chama art rage. Ele imita tudo o que é tipo de textura. Variações equinas e estado de espírito zen.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Divindo as dores

Então, o dia hoje não foi dos melhores. Já não estou de alta na sexta e sim começo a tomar dois antibióticos (via oral, graças a deus!) amanhã pra acabar com as bactérias escrotas. Também fiquei sabendo que estou quase hipertensa. Aham. No limite da pressão alta. O médico acha que a causa é o uso de longa data do corticóide. O que te salva também te mata. E de novo o corticóide entra em ação pra estragar meu dia. Como faz muito tempo que não fico em pé, o médico aqui disse que tenho que fazer uma densitometria ossea antes de voltar a ver a vida do alto. Esse remedinho além de engordar a criatura, fazer subir sua pressão, também prejudica a massa óssea. Podem rolar fraturas em situações bestas, tipo, ficar em pé.
No mais, sábadão sai pra almoçar com minha tia e meus primos. Comi sushi e mais tarde tinha uma festa. Estávamos quase saindo quando uma dor de barriga fulminante me fez cagar nas calças. A vida as vezes pode ser chata pra cacete, né? Bueno, meu primo me pegou no colo e fui pro vaso. Minha tia me ajudou no banheiro. Puxamos a fralda cagada e de repente ela se atrapalhou. A merda caiu em slow motion, estilo matrix, e passou a milimetros da minha perna. Se eu suasse teria sido frio. Só tinha aquela calça pra ir pra festa. Se bem que a dor de barriga quase não me permitiu sair. Caguei por mais duas horas e cheguei leve no festerê. Foi meia garrafa de tequila. E o resto, obviamente não me lembro. Uma despedida talvez. De volta ao lance da hipertensão, terei que mudar vários hábitos para não ter que tomar mais um remédio. Da boca do médico saiu: dieta balanceada, restrição de sal, bebida alcóolica raramente, nada de excessos. Porra, até o cigarrinho deve dançar. Pra quem gostar de fazer tudo intensamente, é bem complicado viver sem excessos. E, tão riscando da lista todos os pequenos prazeres mundanos que gosto de desfrutar. Preciso arranjar um namorado urgentemente. Algum prazer tem que ter nessa vida, né?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Today

Hoje o dia foi bom. Terminou o preparo! Yeah! Chega de reinar no trono. Voltei a me alimentar decentemente. Mas, tive duas notícias não muito bacanas. Estão crescendo duas bactérias na cultura da minha urina: a burkholderia e a klebsiella. Além de terem nome de terrorista essas duas escrotas até agora se apresentaram sensíveis a apenas um antibiótico via oral e eu sou alérgica a ele! Vamos tentar neutralizar as danadas com vitamina C e um outro troço que não lembro o nome. Se não melhorar a situação, antibiótico na veia... A outra notícia é que minha alta está prevista pra sexta que vem! Não quero ir embora tão rápido, é bom demais estar aqui. Chuif...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

De guaiaca na caatinga

Bueno, sai do frio de Porto Alegre domingo passado. Vim pra Brasília toda encasacada, de bota e guaiaca. Cheguei no cerrado e passei muito calor, mas muito calor até conseguir trocar de roupa.
Fiz a admissão no Sarah segunda de manhã. Bom demais estar de volta ao lago e rever a galera que trabalha aqui. Dessa vez não tem muita gente internada. Estou sozinha na enfermaria feminina: tô de rainha. Hehehehe. Quanto aos bofes, sabe como é sempre rola um romance por aqui, a coisa tá fraca... Veremos quem mais interna. Nham, nham.
No momento, sofro cólicas terríveis. A única parte foda de vir pro sarah é o bendito 'preparo'. Um ritual macabro de limpeza intestinal para realização de alguns exames. Veja bem a situação. São três dias comendo apenas alimentos que não deixam resíduo. No almoço e janta: chuchu, frango, abobrinha e batata. Café da manhã e ceia: torradinha com geleia e chá ou água de coco. Somado ao martírio gastronômico, as nurses te dão uma mistura bizarra de tamarine + óleo de rícino + luftal (um tubo inteiro!). Tamarine, pra quem não conhece, parece uma lama negra com gosto de geleia de sei lá o quê. Meu, tu caga até quase morrer. Se esvai mesmo. Devo ter emagrecido já um bocado, o que por um lado é bom visto que estou mui porpeta! Engordei sete quilos desde a última internação. Já falei com a nutricionista e vou fazer aquela reeducação alimentar. Chega dessa história de ser gordinha mas feliz.
No mais, antes de viajar conversei um pouco com meu irmão que mora há cinco anos na Nova Zelândia. Como sinto falta desse guri. Foda. A gente filosofou sobre a vida. Sobre uma das poucas certezas que essa experiência maluca tem: a finitude. Gentém, a brincadeira tem prazo de validade. Procuro ter isso em mente todos os dias: a vida tem hora pra acabar. Assim, não perco tempo com bobagem. Ah, e tem mais um detalhe, no rótulo não tá a data da validade. Isso é muito foda. Quem garante que se vai estar aqui amanhã? Se joga!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

...

Incrível. No último mês quase me apaixonei por três pessoas diferentes. Quem fica mais próximo ganha meu coração por alguns dias. Deve ser carência ou esse frio maldito que faz em Porto Alegre e inspira um cobertor de orelha. Também não ando mui feliz. Será a falta da fluoxetina ou só o inverno com sua desumana temperatura que me abate? No mais, os dois últimos eventos do livro foram muito legais. Exceto pelo desembarque na rodoviária de Caxias. Fui com minha amiga Cinthya que também é cadeirante. As pessoas nos olhavam como se fossemos duas alienígenas estabelecendo contato com a Terra. Minha irmã que diz, Caxias tem tudo o que uma cidade grande e uma cidade pequena tem de ruim: violência, trânsito e aquele comportamento de província. Ainda na maratona, vou dar algumas entrevistas e talvez role uma sessão de autógrafos em Vacaria, terra natal do meu coroa. Vai ser massa.
De saco pra mala, falta pouco mais de uma semana para eu voltar à Brasília e internar no Sarah. Amo. Bom demais estar entre os iguais, rever as enfermeiras e terapeutas, aprontar alguma no Cerrado, rever meus primos e minha tia.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A maratona continua!

Depois do lançamento em BSB, que por sinal foi suuuuper divertido - vários cadeirantes compareceram, com direito a elevador estragado e sequencia de botecos fechados - rola mais duas sessões de autógrafos! Please, ajudem a divulgar e venham tomar um vinho comigo!

terça-feira, 27 de abril de 2010

As últimas!

Vixi, tem tanta coisa pra contar...
Bueno, depois do findi em SP fui pro aeroporto de Congonhas pra fazer um bate volta no Rio e gravar o Sem Censura. Perdi o voo por cinco minutos. Peguei o seguinte e chegando no Rio almoçaria com uma amigona pra depois seguir pra TV Brasil. É norma da ANAC todos os passageiros desembarcarem e por último sair o cadeirante. Bom, todos andantes sairam da aeronave e eu fiquei aguardando. Aguardando. Aguardando. Sério, mofei meia hora na porra do avião. Quando finalmente os funcionários da TAM chegaram com a cadeira, não era a minha! Pra completar, não havia ambulift nem o robocob e o avião não tinha parado no finger. Me desceram pela escada feito um saco de batatas. Pra mostrar como a lei de Murphy realmente existe, ainda extraviaram minha necessaire com todos os assessorios que eu mais gostava e meu perfume que custou uma banana! Sei que é bobagem, bem material. Mas, eu estava cansada e estressada, acabei abrindo o berreiro. Uma moça que passava na hora perguntou se estava tudo bem. Falei que sim com cara de rena, nariz vermelho e inchado. Eu soluçava e o cara da tam devia estar se perguntando o que havia de tão importante na bendita frasqueira.
Bueno, perdi o almoço e fui puta da cara dar entrevista. A mesa redonda foi show e conheci pessoas bacanas como o Guga Ferraz e o Henrique do Adaptsurf. Yeah, a próxima vez que for ao Rio vou pegar onda! Depois da gravação corri pro Santos Dumond com a esperança que houvessem achado minha frasqueira. Que nada. E de novo, a TAM deixa a desejar em acessibilidade. Eles tiveram que pegar emprestado um robocop da Gol para me transportar. Pelo amor de deus! Quero providências. Assim que chegar em porto vou agilizar aquele processinho por danos morais e materiais!
Well, cheguei em casa exausta mas feliz e louca de vontade de matar a saudade da family e dos amigos!
Quinta feira, dia do lançamento em Porto foi uma loucura. Comecei dando entrevista às 08h30 da manhã pra minha amigona Daniela Sallet na tv assembleia, em casa, hehehehe. Depois, voei pro salão e na sequencia comprei algumas blusas. Veja bem, só chove em Poa, e cheguei com a mala cheia de roupa suja! Entrevista pelada não dá, né?
Bueno, da loja fui pra RBS TV dar entrevista pro Jornal do Almoço, depois fui pra casa esperar a turma do Patrola que começou a gravar às 14h. Sai junto com a simpática equipe pra voar pra Rádio Gaúcha, onde tinha entrevista marcada Às 16h com o prof Ruy Carlos Ostermann. Detalhe, sai com tanta pressa que esqueci minha bolsa. Atrasada, sem um real no bolso parei no safe park que tem em frente à RBS e avisei pra mulher que guarda os carros: "Olha só, eu não sei se vou ter dinheiro pra pagar, mas eu tô atrasada e na volta te explico, tá?"
Estava chovendo pra caralho, eu sem guarda-chuva nem celular pra pedir a produção que me resgatasse fui na raça tomando altos pingos na cara e tb na cabeça. A escova da manhã foi pro espaço junto com a maquiagem e dei graças a deus porque a entrevista era na rádio.
Sobrevivi, minha irmã Lu veio me resgatar. No caminho, outra entrevista pra rádio, desta vez por telefone. Chegamos em casa com o tempo justinho pra trocar de roupa e retocar a make, o cabelo foi fodido mesmo.
Sem explicação o lançamento em Porto! Muitos e muitos amigos, gente que eu não via há anos! Demais mesmo. E a fila pra pegar os autografos saia pra fora da livraria! De vinho em vinho, terminei de psicografar dedicatórias às 22h. Não tive tempo de ir ao banheiro e sai de lá bebada e toda mijada, ôe!
Desmaiei em casa e no outro dia, mais correria. Acordei com a repórter da pampa gritando meu nome. Tinha entrevista marcada às 10h30 e não ouvi o despertador. Mami fez sala enquanto eu me vestia. Depois da entrevista, mais e mais correria. Banho voando e busão pra veranópolis onde rolou outra sessão de autógrafos. fui super bem recebida pela minha xará Juliana dona da confraria das letras. Maravilhoso reencontrar minha mana, minhas afilhadas e amigos! Mas, sente o fator comédia presente na vida da pessoa. Quando vejo os jornais de Nova Prata e de Veranópolis me deparo com um anúncio que dizia mais ou menos assim: "Juliana Carvalho, que contracenou com Alinne Moraes em Viver a Vida vem a Veranópolis lançar seu livro..." Quase cai da cadeira quando li a chamada! Bueno, o lançamento começou e a Ju me explicou que eu deveria dar umas palavrinhas, sabe como é... Senão amanhã o povo estaria falando que eu fui lá e não disse nada. Pedi uma taça de vinho pra ter mais desenvoltura no falatório. Foi bacana falar pra galera, mas então as pessoas presentes podiam fazer perguntas. Primeiro veio "como foi participar do Fantástico?" Falei que toquei a Ceribelli na cama e tal, mas não rolou química. Mentira. Falei que foi super bacana e tanto a Renata quanto toda a equipe são super legais. Bueno, veio a segunda pergunta: "E como foi participar da novela?" Sorvi um longo gole de vinho e expliquei o mal entendido: "Na verdade, não fui eu quem participou da novela e sim outra menina cadeirante. Mas, a produção da novela me ligou e estou na expectativa de dar um depoimento. Bem na verdade eu falei que só participaria da novela se eu ficasse com o Miguel..." Risos quebram o gelo, e logo vem outra pergunta: "Não serve o Jorge?"
Vixi, depois da saia justa correu tudo bem. Aproveitei o final de semana pra curtir minha mana e a Luisa, amor da minha vida. "Dida, vamô bincá de Babi?" Com certeza!
Além de afofar as duas fui no aniversário do meu amigo cadeirante Mauri. Meu, interior do interior. Sabe aquela estradinha de terra que nunca termina e tem um aspecto super bruxa de blair? Medo! E a gente se perdeu bastante até encontrar a cabana onde rolava o bundalele. Na festa, de novo me fizeram falar. A turma no interior é fogo!!! Sério, rolou um troço muito doido e bonito. Além do Mauri e eu de cadeirantes estava na festa o Nani, um amigão do Mauri que há sete anos bateu o carro, perdeu no acidente seu melhor amigo e ainda ganhou no kit tragédia uma bela lesão cerebral. Foi o pai dele, seu Germano que pediu que eu falasse e na sequencia dirigiu uma espécie de aleijados anônimos. Todos que estavam lá falaram um pouco sobre a vida, sobre suas experiências com a deficiência dos amigos e familiares e como isso alterou sua própria vida. Foi lindo.
Bueno, agora estou em BSB e de novo rola aquele friozinho na barriga antes de cada lançamento. Breve mais novas!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Na correria

Correria fenomenal e uma amigdalite chata. Segunda o lançamento em SP foi demais! Todos meus amigos do sul que estão morando em sampa foram. Muita alegria revê-los! Terça hibernei, dormi até às 22h, acordei só pra comer uma pizza e tomar uma coca e voltei a dormir. Quarta fui pra BH, bom demais rever minhas primas e tios que moram em Minas! Também conheci um trio de cadeirantes muito legais no lançamento. Agora, em SP de novo, hoje de tarde gravo com o FANTÁSTICO! Eeeee, serei entrevistada pela Renata Ceribelli num motel. O assunto? Sexo de cadeirantes. Vai ao ar neste domingo! Sexta e sábado a maratona continua. Vou autografar na Reatech no estande do Superação. Segunda, vôo pro Rio pra gravar o programa Sem Censura da TV Brasil. Caralho! Precisava de mais umas duas Ju para fazer tanta cousa!!! Cansada, mas feliz pra carai!

domingo, 11 de abril de 2010

Mais novas

Não contei, mas enquanto esperava o vôo no Salgado Filho conheci uma mulher super legal. Mas, ela teve tantos episódios catastróficos que uma hora achei que ela tava me tirando. Veja bem: foi adotada, teve câncer de útero, teve cancêr de mama, com os tratamentos chegou aos 110kg, separou depois de 30 anos de casada e faz pouco, entre a vida e a morte, descobriu que tem a doença celíaca. Bueno, com uma coragem admirável essa doida na faixa dos quarenta resolveu ir morar em Portugal com um cara com quem se correspondia pela Internet há dois anos. Massa, né? Tomara que role química!
Bueno, também não contei, mas o táxi que me levou do Galeão até o Santos Dumond era guiado por um ser ilustre. O nome do motora era Jesus. Jesus - o taxista comentou que não é fácil ter o nome do homem, que é uma responsa. Aproveitando o momento mágico, não é sempre que 'o cara' tá ali do nosso lado em carne e osso, perguntei: "Jesus, meu livro vai vender?"
Daí, Jesus - o taxista respondeu: "Menos do que tu imagina, mais do que tu precisa." Interessante isso.
De saco pra mala, também esqueci de contar um episódio super fofo no ponto de táxi às 7h30 da manhã no Leblon, depois do terceiro boteco. Havia uma fileira de carros amarelos aguardando clientes. Os dois primeiros se negaram a me levar. O terceiro, com uma Zafira, alegou que não caberia no carro e toda aquela má vontade que a gente já conhece. Não sei porquê, se foram as caipiroskas, o cansaço ou só a raiva no sangue, mas dessa vez, tive que falar. O motorista do táxi da Zafira era um senhor baixinho por volta dos sessenta anos. Enquanto ele gesticulava e argumentava as razões para não me levar, larguei: "Quero ver quando o senhor tiver um AVC, ficar numa cadeira de rodas e passar por isso que estou passando..." Olhei bem no olho dele e falei: "O AVC tá chegando."
Gente, esse véio arregalou os olhos apavorado, "tu tá apelando!" E saiu, aposto, se cagando de medo.
Hum, deixa ver que mais tem pra contar... Ah, a entrevista com a Record foi super bacana, a jornalista Ana Paula foi um amor. E no final da gravação, li um trecho do livro e putz, tremi o queixinho, a voz embargou e fui obrigada a pedir pra jornalista terminar o trecho. Senti a emoção de toda a equipe, foi lindo. Ainda nessa tarde de gravações, estava com o meu amigão Sid (dono da casa onde estou hospedada) estavamos rodando nossas cadeirinhas enquanto faziam imagens e começamos a falar besteira, óbvio que o papo foi pra sexo e falei barbaridades quando me dei conta que estava com o microfone... O cara do áudio deve ter adorado...
Ontem, dei entrevista pra Marta Góes, colaboradora da Contigo. Foi uma tarde maravilhosa. Sabe aquelas pessoas com quem dá pra passar a tarde conversando sem perceber que o tempo está passando? Empatia pura. Após a entrevista fomos pra Paulista para fotografar. Foda! Tinha uns malucos com guitarra e amplificador tocando Guns, gente de todas as tribos circulando. O fotógrafo queria me pegar no meio da avenida. Então, foi muito engraçado, cada vez que a sinaleira fechava a gente corria pro meio da faixa de pedestres, sorriso na cara e cliques até ter que sair correndo de novo porque o sinal abriu. Não sei quantas vezes essa cena se repetiu. Foi com emoção e as fotos ficaram show.
Amanhã, tem o lançamento na cultura principal do conjunto nacional que fica na Paulista. Friozinho na barriga e aquela expectativa!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

News

Gentém, a correria tá fodaaaaaa! Não é fácil ficar rica e famosa, hahahaha. Jura, né? Bueno, atualizando. Cheguei no Rio na semana mais bizarra de clima louco dos últimos quarenta anos cariocas... Era pra aterissar no Santos Dumond às 13h30, fui parar no Galeão às 17h30... Ainda por cima minha irmã foi parar no Santos Dumond... E pra melhorar nossos celulares ficaram sem sinal. Falta de comunicação total enquanto os morros despencavam matando vários cariocas. Caos total. Sobrevivemos, mas confesso que essa confusão toda deu uma melada no lançamento por lá. Foram poucos mas maravilhosos amigos, de canoa ou jetski. Enfim, depois do lançamento essa galera parceira foi pro boteco. Fechamos esse boteco e fomos pra outro, que tb foi fechado e nos obrigou a ir pra outro. Virei a noite, cheguei em casa e meti o que faltava na mala e fui correndo pro Santos Dumond pra voar pra SP. O voo atrasou, deu tempo de chegar na casa do Sid, meu fiel amigo aleijado super anfitrião. Comemos correndo e já chegou o carro da Record pra nos levar pra gravar uma matéria para o programa Hoje em Dia. Foi uma tarde suuuper agradável com a Ana Paula, que é gente boníssima. Agora, definitivamente preciso dormir. Amanhã tá marcado foto e entrevista pra Contigo! Feliz demais, mas cansada pra caralho! E vamos que vamos!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

E começa a maratona

Quase uma da matina e nem sinal de sono. Mala pronta, só falta conseguir fechá-la. Vai ser difícil... Sabe quando a pilha de roupas e tralhas quase passa da tampa da mala?! Pois é... Acho que só sentando nela.
Bueno, amanhã de manhã começa a maratona. Vou pro Rio com minha mana Lu que vai bancar a assessora para assuntos aleatórios. Quinta é o grande dia, primeiro lançamento! Dá até um friozão na barriga. No mais, hoje recebi a primeira proposta para filmar o livro! Eeeee! Breve mais notícias.

domingo, 4 de abril de 2010

Inclusão!


Minha querida amiga Tabata se juntou com mais dois malucos (Rapha Bathe e Carolina Ignarra)e juntos escreveram e produziram um livro e áudio livro que fala da inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
Carolina Ignarra escreve a primeira parte e conta sua experiência trabalhando com inclusão nas emrpesas do Brasil, o que deu certo, o que não deu e muitos conceitos e informações que pra quem vive parecem simples, mas pra quem está começando a trabalhar com inclusão são valiosas! A segunda parte traz a arte e o olhar do fotógrafo Rapha Bathe em fotos de doze profissinais com deficiência em seu ambiente de trabalho. A terceira parte fica por conta da Tabs que conta as emocionantes histórias de vida dessas doze pessoas!!

O QUÊ? Lançamento do Livro: INCLUSÃO – conceitos, histórias e talentos das pessoas com deficiência
QUEM FEZ? Carolina Ignarra, Tabata Contri e Raphael Bathe
QUANDO? 05 de abril
QUE HORAS? 19h
ONDE? Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos - Avenida das Nações Unidas, 4777 – Jd. Universidade Pinheiros – São Paulo / SP

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Trailler do Livro

Seguindo a tendência do mercado, eis o trailler do livro!

quarta-feira, 31 de março de 2010

É fazendo merda que se aduba a vida

Já dizia um sábio chinês. Esses dias estava gravando uma entrevista na rádio, falando com um albino do interior de São Paulo, quando minhas pernas começaram a abrir, ou seja, banheiro. Não dava pra parar a conversa e tive que usar todo o meu poder de concentração pra não soltar uma bufa que vazasse no áudio. Foi foda!
Bueno, estou a menos de uma semana da primeira sessão de autógrafos do livro, tá foda a ansiedade. E, confesso que também tô com um medinho. Sei lá, incertezas, sabe? Será que vai vender? Será que a crítica vai ser positiva? Será que vai dar tudo certo? Friozinho na barriga mesmo. É muita expectativa e falta tão pouquinho...
Quase famosa, na beirola do glamour, a comédia da vida aleijada sempre me faz manter os pés, ou melhor, as rodas, no chão.
Ontem, por exemplo, fui fazer um cate para depois ir pro salão me arrumar pra gravar quando uma súbita cólica quase me derruba da cadeira e provoca uma exoneração intestinal (essa ouvi de um colega e achei ótima!) inenarrável. Saltei pro vaso que era mais baixo que a cadeira e vi que tinha dado merda mesmo. O foda é que eu não conseguia voltar pra cadeira e ainda estava no mar marrom. Bueno, chamei a equipe de resgate: minha irmã e uma amigona do trabalho. Elas não conseguiam abrir a porta por fora, o boato da aleijada cagada presa no banheiro se espalhava pelos corredores. Num ato desesperado e altruísta, minha amiga tentou entrar por baixo da porta. Cena impagável, vi umas pernas entrando, quadril e pá, trancou na barriga. Ela teve que recuar. Foram vários minutos até alguém achar uma chave de fenda e conseguir abrir a bendita porta. Aí, veio o trabalho sujo, que é melhor nem narrar. Gastei todos meus lenços umedecidos e quase destruí o bulbo olfativo das duas. Agora me diz, é ou não é comédia?!

Pra rir mais da desgraça alheia, aí vai a maratona de lançamento do livro, ôe! Please, ajudem a divulgar!

quinta-feira, 18 de março de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

A cara do livro

Bah, é com muuuita alegria que coloco aqui a capa do livro. Enfim, o livro. Quem acompanha minha história a bastante tempo sabe o quando eu esperei pra esse projeto se concretizar. Caralho, já tá na gráfica. Falta menos de um mês pra eu pegar uma porra dum exemplar cás mão! Mais essa conquista só reforça a minha crença de que tudo, tudo mesmo, é possível. E, a minha maior esperança, que é voltar a andar vai acontecer. Hoje, dei uma entrevista pra ZH, deve sair no caderno vida nos próximos dias, e no bate papo com o repórter falei algo que realmente acredito. Mesmo depois que eu volte a caminhar vou continuar na peleia pela inclusão. Como diz um amigo, 'o bichinho da inclusão me mordeu, e não tem mais volta'. E vai ser massa essa história de livro bombando, de ficar conhecida, porque isso vai me dar mais força e visibilidade pra brigar pela causa.
Agora, finalmente, a cara do livro:



Release, básico:
Aos dezenove anos, uma doença colocou uma cadeira de rodas no caminho de Juliana Carvalho. Sem esconder os momentos dolorosos e a vontade de desistir, este relato autobiográfico extrai humor e esperança de situações difíceis e expõe a mistura de tragédia e comédia que caracterizam a sua – e a nossa – complexa condição humana.
Na minha cadeira ou na tua? percorre questões fundamentais do cotidiano dos cadeirantes, com informações sobre inclusão, acessibilidade e lutas por enfrentar, e intercala narrativas sobre a vida da autora antes e depois da lesão medular. Antes dela, Juliana relembra pensamentos, brincadeiras e a relação ingênua com a família durante a infância e fala sobre a descoberta do amor e do sexo, as festas, a rebeldia e as bebedeiras durante a adolescência. Já adulta, após a grande virada, a readaptação, a convivência com os novos limites, a superação e a percepção de que uma cadeira não modifica o fundamental: o que o ser humano é além do próprio corpo.
Um dos méritos do livro é o bom humor, mas Juliana sobe o tom quando, no último capítulo, se refere à condição de cadeirante na sociedade de hoje: “Podemos ter uma legislação pródiga, mas, na prática, estamos muito aquém do que está no papel. Muito aquém”. E segue exemplificando: “No meu trabalho, o que não é adaptado, batalho pra ser. Tenho autonomia e um grande prazer em tocar o ‘Faça a Diferença’, programa exibido na TV Assembleia do Rio Grande do Sul, que aborda temas ligados à inclusão, ao respeito à diversidade e à promoção dos direitos humanos”.

Trecho do capítulo “Pernas pra que te quero”
“Já falei que os internos não usam roupas íntimas. Passei umas duas semanas sem sutiã. Um crime contra os peitos. Pontos pra gravidade. Uma noite dessas, quero ir passear no “quinto dos internos”, e vou pegar autorização com as enfermeiras. Uma delas soltou essa:
– Vai passar um batom, guria! E colocar um sutiã.
– Mas, não pode usar... - falei.
– Eu acho um absurdo isso! Como você é boba, pega escondido.
Passo a noite pensando a respeito do sutiã. Acordo, e vejo na minha grade de atividades que tem basquete. Deus! Jogar basquete sem sutiã! E se confundirem as bolas? Percebo que é o dia certo para pegar meu sutiã no guarda-valores. Vou lá. Peço pra dar uma olhada nas minhas coisas. Está tudo lacrado.



- Quer tirar o lacre? - pergunta solícito o funcionário.
Digo um não miúdo e saio com ar de derrota. Mas o que eu estou fazendo? Sutiãs são ilegais aqui dentro. E se me pegarem? E se me expulsarem? E o basquete? Mira que dilema estoy viviendo. Percebo que estou sem chiquinhas, e lembro que as que eu tinha estão no guarda-valores. Yeah! Lá fui eu de novo.
- Moço, eu queria pegar umas chiquinhas (e meu sutiã, é óbvio).
- Tiro o lacre?
- Aham...
Pego o sutiã e enfio embaixo do pijama, me sentindo supertransgressora.”

A autora
Juliana Carvalho nasceu em 1981, em Porto Alegre, e é publicitária. Cadeirante desde os 19 anos, quando teve uma inflamação na medula, é atuante no movimento das pessoas com deficiência. Apresenta o programa “Faça a Diferença”, que promove os direitos humanos e o respeito à diversidade, exibido na TV Assembleia do Rio Grande do Sul. Mantém os blogs “Comédias da Vida Aleijada” (comediasdavidaaleijada.blogspot.com) e “Sem Barreiras” (www.zerohora.com.br/sembarreiras), este do Grupo RBS, que aborda questões sobre acessibilidade e inclusão. Dirigiu o curta-metragem “O que os olhos não veem, as pernas não sentem”, premiado pelo Júri Popular do Festival Claro Curtas de Cinema. Na minha cadeira ou na tua? é seu primeiro livro.

Na minha cadeira ou na tua?
Editora Terceiro Nome
14 x 21 cm, 248 páginas
Preço: 34,00

quarta-feira, 10 de março de 2010

Matéria no Jornal do Almoço

Ficou massa! Eeeee! O livro ainda nem saiu e já é assunto, vai bombar!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Novelinha e o Exu da intolerância

Tchurma, confesso que não tenho conseguido escrever por aqui tanto quanto gostaria. Mas, é essa vida louca de cadeirante engajada na causa que vive sempre como se estivesse lomba abaixo. Uhu! Em alta velocidade.

Bueno, mesmo correndo contra o tempo, tem um assunto que está entalado na garganta faz alguns dias. Eu particularmente estou muito feliz com a novela das oito mostrando tantas fatos e projetos relacionados ao mundinho dos quebrados. Mas, tem uma pulga atrás da orelha que não para de coçar. E depois que a novela acabar? Depois que o assunto esmorecer? Mesmo com toda a visibilidade que só uma novela das oito consegue dar para um tema no Brasil, ainda temos inúmeros problemas que são corriqueiros, diários. Exemplo clássico, tenta ir pra balada, as opções de casas noturnas com acessibilidade são pouquíssimas. Cardápio em braile? Não fui restaurante até agora que oferecesse. Cinema? Fica no gargarejo e sofre mais tarde com torcicolo. Fora o lazer, vamos para questões mais fundamentais ainda. Necessidades fisiológicas básicas, por exemplo. Cada xixi vai uma sonda certo? Conheço gente que por falta de recursos financeiros usa o mesmo cateter um mês! Cadeira de rodas que preste custa uma fortuna. Essa semana mesmo, a Mia e a Luciana estavam lendo um comentário que foi postado no blog da Lu e que falava justamente sobre como a evolução e qualidade de vida da personagem se devia também aos recursos financeiros de sua família que pode lhe dar tudo do bom e do melhor. A nossa realidade é completamente diferente. Quanta gente está com articulações encurtadas e músculos atrofiados porque não tem acesso a fisioterapia?

Me preocupa que o assunto vá para a gaveta e a realidade das pessoas com deficiência no Brasil sofra um retrocesso. Outra questão televisiva que me incomoda é essa adoração pelo Dourado. Fala sério! Ele pode ser gostoso e ter seu valor (afinal, quem não tem?) mas é um absurdo que uma emissora de TV exiba no programa com maior audiência do país os ideais do cara! Um retardado que tem suástica no braço, é preconceituoso, mal informado e ainda prega violência contra a mulher. Pelo amor de Deus, olha a luta que existe contra violência doméstica, Lei Maria da Penha, olha a luta do movimento LGBT para criminalizar a homofobia, olha o que passaram os judeus. E milhares de brasileiros acham o cara o máximo, uma pessoa que é o exu da intolerância, mobiliza uma multidão... Me revolta pensar que tanta audiência pro infeliz (que ainda por cima, pra nos difamar, é gaúcho) pode ser reflexo do que é nossa sociedade.

terça-feira, 2 de março de 2010

Juju no programa Personalidades

A espera de alguns milagres


Gentém, texto do livro pronto, hoje tirei fotos para capa! Ficaram shoooow! Se Deus quiser, eu tiver muita sorte e der tudo certo, gravo um depoimento pro final da novela, ôe! Vou fazer uma maratona para noite de autógrafos em SP, Rio, POA, Brasília e Belo Horizonte, uai! Dai, quando estiver no Rio pode ser que role o bendito depô. Tô torcendo!

Outro milagre que tô esperando é uma resposta para uma proposta de patrocínio pro livro. Entrei em contato com o marketing da Volkswagen, perguntar não ofende, né?
No mais, trabalhando feito doida no programa e sonhando em ter nas mãos de uma vez um exemplar da história de uma guria que com 19 anos viu seu mundo virar de pernas pro ar. "Na minha cadeira ou na tua?" tem tudo que o povo gosta: tragédia, humor e esperaça. Espero que venda muuuito pra eu ter um iate adaptado no Rio onde vou dar festas pros amigos!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Juju na Folha de S.P.

Ó o link pra matéria que saiu tb saiu na folha on line! Eeeeeee! Brigada Neca!

Juju na Folha de S.P.

Ó o link pra matéria que saiu tb saiu na folha on line:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u694120.shtml

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Uma notícia boa e uma má

Embora os assuntos mereçam mais tempo, meus globos oculares estão vermelhos e quase saltando das órbitas. Faz uma semana que quase não durmo. Porto Alegre é a sucursal do Inferno e não tenho ar condicionado em casa.
Buenas, além da falta de repouso, meus olhos também estão vermelhos porque ontem quase babei de tanto chorar embaixo do chuveiro. Sabe quando a brincadeira cansa? Ai, primeiro a má notícia. Então, depois de oito anos de lesão, descobri o que é uma escara, literalmente na pele. Estou com duas, uma micro e outra bem pequena, uma em cada pé. Fiquei muito chateada. Estou passando dersani e tal, mas vou ter que fazer debridamento, um tipo de raspagem, dai ficar de pé pra cima e tal. Saco pra caralho. Além disso, adivinha? Infecção urinária de novo! Não aguento mais me mijar!
Quem dera essa porra de lesão deixasse o cara só sem anda. Mas, não! Vem o kit tragédia! Pra puta que pariu!
Ontem, tava mesmo cansada dessa palhaçada. A água do chuveiro escorria se misturando com as lágrimas enquanto eu pensava 'eu só quero minha vida de volta'. Que coisa, o tempo passa e eu não me acostumo.
Chega de drama, a boa notícia. Finalmente fechamos o texto do livro! Eeeeee! Tá definido que vai se chamar 'Na minha cadeira ou na tua?' e vai amanhã pro diagramador! Eeeeeeee!
Bah, mão de obra do caralho escrever e mão de obra do caralho editar!!!!
Mais uma etapa cumprida. Ju Win, caralho!
E mais outra boa notícia, uma amigona minha que é jornalista na folha está fazendo uma matéria sobre a aleijada aqui. Comprem a folha domingo!

Bem gay, estilo Serginho: Bjs me liga!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sábado a noite tudo pode rolar

Sábado passado sai com minha irmã mais nova e uma amiga, também mais nova. Escova, maquiagem, acessórios, perfume e más intenções, lá fomos nós em busca de uma festa na capital gaúcha semideserta em época de veraneio. Para nossa surpresa, todo mundo que não estava na praia resolveu ir para a balada em Porto Alegre.

Sem destino definido, a gente deu uma banda de carro antes de decidir qual seria o boteco que teria a honra de nossas presenças. Ui! Enquanto eu estava ao volante, passando devagar pela João Alfredo e pela Lima e Silva, vários rapazes me encararam, flertando. As meninas inclusive brincaram que era para eu passar um pouco de mel para elas. Engraçado, depois que eu troquei de automóvel e encarei a night na minha cadeira de rodas os olhares sumiram. Porque será?

domingo, 10 de janeiro de 2010

Inhaca

Dia difícil sem motivo aparente. Acordei na minha, quieta. Como esse não é meu estado comum, sei que tem alguma treta acontecendo. Acho que é uma série de mudanças que estão prestes a rolar: mudar de casa, lançar meu amigo livro, minha mãe imigrar... Hoje, minhas irmãs e eu começamos a selecionar coisas que devem ser desovadas, vendidas e outras que vão pra nosso futuro apê. Mexer nesse monte de tralha deve mexer comigo, né? Imagino que seja isso.
Hoje também li no Sem Barreiras um pedido de desculpa da Tania pros nossos leitores. A sequela aqui esqueceu de escrever pra sábado! Saiu uma nota no caderno vida chamando pro blog e quando tu clicava lá, vazio. Eu deveria ter escrito sexta... Mas, sexta foi foda, muita correria, entrega de programa, formatura, noivado e quando vi, esqueci de escrever. Quando vi o pedido de desculpas da Tania, fiquei chateada. É foda mijar fora do penico. Aff, bom poder escrever e colocar os males que afliguem pra fora. Sai daquiiiii! Quero meu bom humor e disposição de volta!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Aventura é pouco

Já estou de volta em Porto faz duas semanas, mas preciso contar duas aventurinhas que rolaram em SP. Por parte, como nosso amigo Jack, lá vai a primeira:

QUANDO A COUSA APERTA, A GENTE É OBRIGADO A SE VIRAR

Bueno, um baita amigo meu que também é cadeirante fez três pontes de safena. Coração mega entupido, fruto de uma vida regrada, como o próprio tio Sid diz. Fui ao Hospital Paulista junto com outros dois amigos que estavam me acolhendo em seu apê, a Madame e o Iguinho (também cadeirante).

O tio Sid estava com uma tosse xarope (isso combina, né?) por causa da entubação. O excesso de contração abdominal acabou abrindo um pontinho da super cicatriz no peito e gerou uma sanguera aguada impressionante. Tio Sid, apavorado, chamou a enfermeira que logo abriu o curativo para espiar se estava tudo ok com o ferimento. A visualização do corte (que por sinal estava bem bonitinho) provavelmente impressionou o Iguinho, que não pode ver sangue, e o hômi passou mal.

Estávamos ainda no elevador quando o mal estar se transformou numa caganeira sem precedentes. Vida de quebrado é dura. Se quem caminha as vezes não consegue correr pro banheiro, imagina a pessoa sentada... Bueno, fomos direto pro apê com os teto solar do carro escancarado, sabe como é São Paulo à noite, não dava pra ir com os vidros abertos. Eu fui com a tampa de um desodorante nas fuças para poder respirar, hehehehe.

Chegando na casa deles, Madame correu com Iguinho para o banheiro e eu fiquei aguardando no carro. Estava sentada no banco de trás ao lado da minha cadeira e suas respectivas rodas. Fumei um cigarro, aguardei. Fumei outro, aguardei. Aguardei mais um pouco e decidi tentar montar a cadeira. Detalhe, eu nunca sento atrás e só tinha montado a cadeira sozinha uma vez, lá no Sarah, há um ano.

Quase me caguei também de tanto fazer força, mas consegui passar a cadeira por cima de mim e tirá-la do carro. YES! As rodas, foram barbada. Quinze minutos fazendo força e altas manobras, consegui encaixá-las na cadeira! YES, again! De novo, repito, não estou acostumada a sentar atrás, e mesmo que estivesse na frente, tenho dificuldade pra sair do carro só. Entrar é barbada, mas sair é sempre um desastre. Vai entender...

Bueno, com os braços já moles de fazer força, decidi encarar. Mão esquerda espalmada na cadeira, mão direita pendurada na porta do carro. Força na peruca, tô quase sentando na cadeira e a 'zorra' da almoçada dobra. Mais quinze minutos tentando desdobrar a porcaria sentada em cima e... YES, mais uma vez! Missão cumprida!

Agora, a aventura que inspira o título desde post:

DOIS QUEBRADOS NA 25 DE MARÇO

Estava eu ainda hospedada na Madame e no Iguinho. Era sábado e ela teria curso o dia inteiro. O Iguinho e eu fomos passear por SP. A gente deu umas voltas pelo centro da cidade e decidimos descer na Catedral da Sé. Achamos um policial gente boa que tirou as duas cadeiras do carro e sob nossas instruções as montou. Valeu a pena. A igreja da Sé é linda demaaaais!

Alugamos o homem da lei mais uma vez. Misericórdia, o cara não está acostumado, levou meia hora pra conseguir desmontar as cadeiras e guardá-las! Dali, enchi o saco do Iguinho por que eu queria muito ir na famosa 25 de março, comprar bugigangas. Jesus, a gente se perdeu muito e levou quase uma hora pra achar a bendita! Paramos num estacionamento próximo e sob instruções o atendente tirou do carro e montou as duas cadeiras.

Lá foram os dois quebrados pra 25, sábado de manhã, próximo do Natal. A rua estava muito lotada de gente, mas nós guerreiros fomos em frente. Pedindo uma ajudinha pra subir um degrau de loja aqui e outro ali. Fui fazendo comprinhas e pendurando as sacolas na pochete do Iguinho que eu levava atravessada no peito. A manhã foi passando e começou a esquentar, mas a gente continuou firme na muvuca entrando de loja em loja. Pobre Iguinho, eu tenho uma disposição incrível pra ver bijuteria e acessórios, ponto forte da 25.

O calor apertou mais ainda, e sabe como é, tetra não sua. Tanto a minha lesão quanto a do Iguinho foram na cervical. Essa história de não suar te torna uma chaleira e rapidinho a gente fica fervendo. Decidimos ir no Mac Donalds pra fazer um pipi. Perguntamos pra quem estava por ali se era perto, e com a afirmativa seguimos em frente. O sol estava torrando e a gente não chegava nunca no bendito fast food.

Finalmente, o letreiro amarelo indefectível. Achei engraçado o atendente perguntar: "é banheiro ou lanche?" "Primeiro banheiro", respondemos juntos. Bueno, fiz meu pips e cedi lugar pro Iguinho. O hômi estava no processo, quando do nada, começa uma chuvarada. Meu pai, nessa hora comecei a me arrepender da 'aventura' na 25. Um pouco preocupada com os clássicos alagamentos de Sampa, perguntei pro cara do Mac se ali também rolava enchente. "Já subiu água até a altura da tua roda", ele falou. Te juro que nessa hora me arrependi. Pata que paréu. O lugar encheu de uma maneira sufocante, todo mundo fugindo da chuva, e eu imaginando como é que a gente ia sair dali se a chuva não parasse. Visualizei o jornal do dia seguinte "dois cadeirantes são arrastados pela enchente..."

O Iguinho saiu do banheiro e viu a situação periclitante. Ele tentava me convencer que a chuva ia passar quando adentra o recinto uma mulher passando mal. A mulher se tocou no chão, branca como papel. Hipoglicemia, com certeza. Nessa hora, que egoísmo, pensei que se aparecesse uma ambulância a gente podia pegar carona! A mulher comeu, melhorou, não apareceu resgate nenhum, mas a chuva graças a Deus parou. Foram QUATRO horas de muita emoção e algumas sacolas no pescoço, com direito ao "rapa" botando os ambulantes pra correr, mas entre mortos e feridos todos sobreviveram.