terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sábado a noite tudo pode rolar

Sábado passado sai com minha irmã mais nova e uma amiga, também mais nova. Escova, maquiagem, acessórios, perfume e más intenções, lá fomos nós em busca de uma festa na capital gaúcha semideserta em época de veraneio. Para nossa surpresa, todo mundo que não estava na praia resolveu ir para a balada em Porto Alegre.

Sem destino definido, a gente deu uma banda de carro antes de decidir qual seria o boteco que teria a honra de nossas presenças. Ui! Enquanto eu estava ao volante, passando devagar pela João Alfredo e pela Lima e Silva, vários rapazes me encararam, flertando. As meninas inclusive brincaram que era para eu passar um pouco de mel para elas. Engraçado, depois que eu troquei de automóvel e encarei a night na minha cadeira de rodas os olhares sumiram. Porque será?

domingo, 10 de janeiro de 2010

Inhaca

Dia difícil sem motivo aparente. Acordei na minha, quieta. Como esse não é meu estado comum, sei que tem alguma treta acontecendo. Acho que é uma série de mudanças que estão prestes a rolar: mudar de casa, lançar meu amigo livro, minha mãe imigrar... Hoje, minhas irmãs e eu começamos a selecionar coisas que devem ser desovadas, vendidas e outras que vão pra nosso futuro apê. Mexer nesse monte de tralha deve mexer comigo, né? Imagino que seja isso.
Hoje também li no Sem Barreiras um pedido de desculpa da Tania pros nossos leitores. A sequela aqui esqueceu de escrever pra sábado! Saiu uma nota no caderno vida chamando pro blog e quando tu clicava lá, vazio. Eu deveria ter escrito sexta... Mas, sexta foi foda, muita correria, entrega de programa, formatura, noivado e quando vi, esqueci de escrever. Quando vi o pedido de desculpas da Tania, fiquei chateada. É foda mijar fora do penico. Aff, bom poder escrever e colocar os males que afliguem pra fora. Sai daquiiiii! Quero meu bom humor e disposição de volta!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Aventura é pouco

Já estou de volta em Porto faz duas semanas, mas preciso contar duas aventurinhas que rolaram em SP. Por parte, como nosso amigo Jack, lá vai a primeira:

QUANDO A COUSA APERTA, A GENTE É OBRIGADO A SE VIRAR

Bueno, um baita amigo meu que também é cadeirante fez três pontes de safena. Coração mega entupido, fruto de uma vida regrada, como o próprio tio Sid diz. Fui ao Hospital Paulista junto com outros dois amigos que estavam me acolhendo em seu apê, a Madame e o Iguinho (também cadeirante).

O tio Sid estava com uma tosse xarope (isso combina, né?) por causa da entubação. O excesso de contração abdominal acabou abrindo um pontinho da super cicatriz no peito e gerou uma sanguera aguada impressionante. Tio Sid, apavorado, chamou a enfermeira que logo abriu o curativo para espiar se estava tudo ok com o ferimento. A visualização do corte (que por sinal estava bem bonitinho) provavelmente impressionou o Iguinho, que não pode ver sangue, e o hômi passou mal.

Estávamos ainda no elevador quando o mal estar se transformou numa caganeira sem precedentes. Vida de quebrado é dura. Se quem caminha as vezes não consegue correr pro banheiro, imagina a pessoa sentada... Bueno, fomos direto pro apê com os teto solar do carro escancarado, sabe como é São Paulo à noite, não dava pra ir com os vidros abertos. Eu fui com a tampa de um desodorante nas fuças para poder respirar, hehehehe.

Chegando na casa deles, Madame correu com Iguinho para o banheiro e eu fiquei aguardando no carro. Estava sentada no banco de trás ao lado da minha cadeira e suas respectivas rodas. Fumei um cigarro, aguardei. Fumei outro, aguardei. Aguardei mais um pouco e decidi tentar montar a cadeira. Detalhe, eu nunca sento atrás e só tinha montado a cadeira sozinha uma vez, lá no Sarah, há um ano.

Quase me caguei também de tanto fazer força, mas consegui passar a cadeira por cima de mim e tirá-la do carro. YES! As rodas, foram barbada. Quinze minutos fazendo força e altas manobras, consegui encaixá-las na cadeira! YES, again! De novo, repito, não estou acostumada a sentar atrás, e mesmo que estivesse na frente, tenho dificuldade pra sair do carro só. Entrar é barbada, mas sair é sempre um desastre. Vai entender...

Bueno, com os braços já moles de fazer força, decidi encarar. Mão esquerda espalmada na cadeira, mão direita pendurada na porta do carro. Força na peruca, tô quase sentando na cadeira e a 'zorra' da almoçada dobra. Mais quinze minutos tentando desdobrar a porcaria sentada em cima e... YES, mais uma vez! Missão cumprida!

Agora, a aventura que inspira o título desde post:

DOIS QUEBRADOS NA 25 DE MARÇO

Estava eu ainda hospedada na Madame e no Iguinho. Era sábado e ela teria curso o dia inteiro. O Iguinho e eu fomos passear por SP. A gente deu umas voltas pelo centro da cidade e decidimos descer na Catedral da Sé. Achamos um policial gente boa que tirou as duas cadeiras do carro e sob nossas instruções as montou. Valeu a pena. A igreja da Sé é linda demaaaais!

Alugamos o homem da lei mais uma vez. Misericórdia, o cara não está acostumado, levou meia hora pra conseguir desmontar as cadeiras e guardá-las! Dali, enchi o saco do Iguinho por que eu queria muito ir na famosa 25 de março, comprar bugigangas. Jesus, a gente se perdeu muito e levou quase uma hora pra achar a bendita! Paramos num estacionamento próximo e sob instruções o atendente tirou do carro e montou as duas cadeiras.

Lá foram os dois quebrados pra 25, sábado de manhã, próximo do Natal. A rua estava muito lotada de gente, mas nós guerreiros fomos em frente. Pedindo uma ajudinha pra subir um degrau de loja aqui e outro ali. Fui fazendo comprinhas e pendurando as sacolas na pochete do Iguinho que eu levava atravessada no peito. A manhã foi passando e começou a esquentar, mas a gente continuou firme na muvuca entrando de loja em loja. Pobre Iguinho, eu tenho uma disposição incrível pra ver bijuteria e acessórios, ponto forte da 25.

O calor apertou mais ainda, e sabe como é, tetra não sua. Tanto a minha lesão quanto a do Iguinho foram na cervical. Essa história de não suar te torna uma chaleira e rapidinho a gente fica fervendo. Decidimos ir no Mac Donalds pra fazer um pipi. Perguntamos pra quem estava por ali se era perto, e com a afirmativa seguimos em frente. O sol estava torrando e a gente não chegava nunca no bendito fast food.

Finalmente, o letreiro amarelo indefectível. Achei engraçado o atendente perguntar: "é banheiro ou lanche?" "Primeiro banheiro", respondemos juntos. Bueno, fiz meu pips e cedi lugar pro Iguinho. O hômi estava no processo, quando do nada, começa uma chuvarada. Meu pai, nessa hora comecei a me arrepender da 'aventura' na 25. Um pouco preocupada com os clássicos alagamentos de Sampa, perguntei pro cara do Mac se ali também rolava enchente. "Já subiu água até a altura da tua roda", ele falou. Te juro que nessa hora me arrependi. Pata que paréu. O lugar encheu de uma maneira sufocante, todo mundo fugindo da chuva, e eu imaginando como é que a gente ia sair dali se a chuva não parasse. Visualizei o jornal do dia seguinte "dois cadeirantes são arrastados pela enchente..."

O Iguinho saiu do banheiro e viu a situação periclitante. Ele tentava me convencer que a chuva ia passar quando adentra o recinto uma mulher passando mal. A mulher se tocou no chão, branca como papel. Hipoglicemia, com certeza. Nessa hora, que egoísmo, pensei que se aparecesse uma ambulância a gente podia pegar carona! A mulher comeu, melhorou, não apareceu resgate nenhum, mas a chuva graças a Deus parou. Foram QUATRO horas de muita emoção e algumas sacolas no pescoço, com direito ao "rapa" botando os ambulantes pra correr, mas entre mortos e feridos todos sobreviveram.