sexta-feira, 6 de março de 2009

Preciso escrever

Assim que der tempo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

As velhas novas

Como sempre meus assuntos giram em torno da iminência do livro, do filme, do programa e da paraplegia e suas implicações.

Sabe aquele celular maneiro que ganhei no festival da claro? Pois é, tinha que vender aquela naba pra dividir a grana com a equipe que fez o filmito. Anunciei no mercado livre e fui vítima de estelionato virtual. A primeira vez a gente nunca esquece. A partir de agora tomarei mais cuidado com as negociações na internet. O pior é que o filho da puta que me enganou botou o endereço pra receber o celular numa caixa postal. Momento: tomeinocu.com.br.
Agora tenho que imprimir todos os e-mails que troquei com o fdp do 171 e também os e-mails que troquei com o mercado livre e ir na delegacia mais próxima fazer o B.O.

Quanto ao livro, o cara da editora ainda não me deu retorno. Tá demorando, né? Quero saber logo se vai ou racha. Não dá pra perder tempo, essa porra sai esse ano. Questão de honra. E o Padilha também não retornou ainda. Não sei se o hômi já leu ou não o material. Momento: senta e espera. Ou melhor, continua sentada esperando.

Ainda quanto ao livro, nada do meu ex-namorado das antigas me dar um retorno, se leu, não leu, gostou, não gostou, etc. Momento: esquece, que não vem resposta.

No trabalho, tudo indo super bem. O programa fecha um ano em maio e a partir daí será semanal. Mais trabalho, eu sei. Mas se a diretoria quer aumentar a periodicidade é pq tá bom, né?
Também estou pensando em dar uma renovada na cara do troço. Vamos criar dois quadros que serão exibidos intercaladamente, cada um numa semana. Detalhes mais adiante...

Quanto a paraplegia propriamente dita, aumentei minhas sessões de fisio. A rotina tá assim: segunta na clinica, terça e quinta atendimento domiciliar e quarta na equo. Tá puxado, mas tá bom. Hoje fiquei bastante tempo em pé. Logo vou pro sarah, dia nove de março, e já estou com aquela ansiedade pré internação. Bah, vai ser muito massa reencontrar alguns aleijados queridos do meu coração. Vamos reativar a tetra produções, responsável pela pérola desta postagem aqui. E já tenho um roteirinho na cabeça pra fazer um mini documentario enquanto estiver por lá. O tema, óbvio, sexo dos cadeirantes.

Ainda, na temática PARAPLÉTICA (como diria meu podólogo), quarta feira passada foi um dia difícil. Estava eu no corredor da TV Assembléia conversando amenidades com um colega quando uma súbita e fulminante dor de barriga limpou meu intestino em poucos segundos. Se não fosse trágico era cômico. Me caguei afú no corredor na frente do colega. Ele ia falando, eu sentindo aquele aroma mara subindo enquanto tentava encerrar a porra da conversa. Saquei meu celular e liguei pra vivi ali do corredor mesmo. 'Amore, vem aqui que a coisa tá feia.' E adiantei: 'traz reforço'. Em poucos segundos minha mana e outra colega nossa que é de confiança me encontraram ali no corredor toda cagada (tá, não dava pra ver, mas dava pra sentir pela minha cara que algo não estava certo).
Corremos pro banheiro do primeiro andar. Como deus e pai não é padrasto, eu tinha comprado uma caixa de luvas e algumas sondas pela manhã. As gurias me ajudaram a passar pro vaso, sairam pra tomar um ar, buscar as benditas luvas e uma garrafa de refri com água.
Nesse interim, fiquei ali apodrecendo o banheiro. A sensação que eu tinha era que alguém tava torcendo meu intestino como se fosse uma toalha molhada, sabe? E cada vez que torciam a porra da toalha, saia água...
Bom, quase interditei o primeiro andar inteiro. As gurias chegaram e disseram que dava pra sentir a bufa que saia quando abriram a porta do banheiro. Ainda debochei que se a cousa continuasse naquele ritmo de cu de corvo morto com urubu podre eu ia fechar o parlamento já quea s reuniões dos deputados acontecem também no primeiro andar. Enfim, foi foda. No dia seguinte não fui trabalhar porque a cólica continuava moooito forte. E na sexta, ainda com um pouco de dor de barriga, encarei o expediente. De tarde eu tinha uma pauta num galpão de reciclagem, então, se desse merda, tava tudo em casa.

No mais, aproveitando a vida junto dos amigos e da família, que é o que realmente importa nessa vida.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

S.O.S. Rafa Caroni

Gentem, estamos produzindo um 'Faça a Diferença' sobre prevenção de lesão medular por mergulho e afogamento. Sabe como é, verão, calor, caipirinha, churrasquinho, imprudência, congestão, brincadeiras perigosas... podem dar em acidentes trágicos. E foi nesse contexto que o Rafael Caroni, 29 anos, que é o case desse próximo programa, sofreu um afogamento. Segue abaixo a matéria feita pela Camila, minha parceira de trabalho. O vídeo fecha o programa que vai ao ar no outro findi (dia 08/02).

Quem puder ajudar a divulgar, plis, o faça. Colaborações em $ podem ser depositadas na contas contas abaixo:

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Eeee - parte 2



Ó o que saiu na revista.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Eeeeee!

Quinta passada me encontrei o com cara da Não Editora. Falei e ele escutou por praticamente duas horas. Eu estava cansada, então volta e meia me perdia nas estórias que contava. Ele me ajudava a retomar o prumo e volta e meia dizia 'conta mais'. Confessou que ficou curioso pra ler o material impresso e encadernado que lhe entreguei: o bendito livro.
No final do bate-papo descontraído perguntei: 'te convenci?'
Pra minha alegria o hômi respondeu afirmativamente.
Então, agora é esperar ele ler (tem outros livros na frente). Tô louca pra ligar e fazer aquela piadinha, que aleijado tem prioridade na fila coisa e tal, hehehe. Mas, estou me contendo.
Bueno, depois que ele ler, se gostar, apresenta pros outros caras da não editora. Se os outros caras gostarem, a gente arregaça as mangas e põe a mão na massa. Ele deixou claro que não é um trabalho rápido, então tenho que ter paciência. E aqui com os meus botões penso que tenho phd na arte de esperar. A lesão medular ensina a ter paciência... Até a ansiedade estou conseguindo controlar.

Bom, ainda semana passada, fui no vascular porque tava bem preocupada com a coloração arroxeada que tomava meus pés quando eles ficam muito tempo pra baixo. Mais a história de fumar, o histórico de trombose, a falta de ar (que graças a deus era pela ansiedade)... Bueno, fui lá falar com o médico pra tirar a limpo essas paradas.
Graças a deus, ele me tranquilizou. Vou fazer um exame para comprovar mas provavelmente os pés ficavam duas beterrabas por uma sequela tardia da trombose. Ele explicou que os vasos sanguíneos tem 'valvulas' que controlam o ir e vir do sangue. A trombose pode ter lesado essas válvulas de maneira que o vir do liquido vermelho ficou lento. Basta levantar um pouco as pernas, mexer um pouco os pés, que tudo volta ao normal: o branco reluzente de quem não põe as canelas no sol faz tempo! e mais, disse que pitar até quatro cigarros por dia não representa risco algum do ponto de vista clínico. Quem fuma quatro cigarretes por dia não é nem considerado fumante! Uhu! Posso desfrutar desse pequeno prazer mundano sem culpa!

Mas então, quê eu tava contando mesmo... Ah, tempos atrás me ligou uma jornalista da revista sou + eu, um periódico bem popular da abril que trás além de dietas milagrosas e causos inusitados, histórias de superação. Então, gentem, escrevi resumidamente minha história. A versão quase completa (afinal, não dá pra colocar uma vida num livro) você encontrará em breve, se tudo der certo, e eu sei que vai dar, nas livrarias cultura desse brasil de meu deus! Bueno, a matéria saiu essa semana, compra lá que é baratinho. Dois pilas, duas páginas e fotinho colorida com a Camilinha (minha parceira de trampo que é cega). Legal que publicaram tudo que escrevi, inclusive da pretensão do livro pra 2009.

No mais, hoje a sogra do meu irmão fez a cirurgia para recolocar a calota craniana no lugar. Vou ligar mais tarde pra minha cunhada amada. Ontem, falei longamente com meu manão. Tão bom usar esses artifícios tecnológicos (msn e webcam) pra sentir
que quem a gente ama nem tá tão longe assim. Força na peruca! Tudo dando certo!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Pout-pourri

Ai, quero falar sobre várias coisas. Episódios que deveriam ter sido contados antes, logo que aconteceram. Não deu. Então puxo da memória as estórias.
Semana passada fiz supermercado pela primeira vez sozinha desde que estou na cadeira. Foi bom. Mas, no começo eu estava um pouco sem jeito. Peguei um carrinho pequeno, daqueles estreitos que tem dois andares. Inicialmente, eu tocava o carrinho e saia correndo atrás. Nessa, consegui bater o troço nas estantes além de tocar a porra do carrinho na bunda de uma mulher.
Como 2009 promete, entrei na dieta. Tive uma conversa séria com minha fisio e temos certeza que a perda de peso vai me ajudar na reabilitaçã. Buenas, lá foi a aleijada no supermercado comprar frutas e verduras. Fazia muito tempo que eu não escolhia frutas. Muito tempo mesmo. Totalmente sem base eu pegava as frutinhas mais de baixo (até porque as mais altas fica dificil mesmo). Nem sei contar quantas maças caíram no chão. Derrubei também pimentão, e mais uma caralhada de vegetais. Com o tempo vou pegar a prática.
Descobri também que consigo tocar a cadeira levando o carrinho. Com uma mão eu toco a cadeira e com a outra vou dirigindo a cesta de compras.

De saco pra mala, também semana passada tive uma conversa muito louca com uma colega de trabalho. Conversamos sobre sociedades secretas, teorias da conspiração e cousas do gênero. É bizarro pensar que várias acontecimentos no mundo podem ser um faz de conta. Que guerras, catástrofes e 'a crise' podem ser não algo inevitável e sem controle, mas sim uma manipulação pérfida de gente que literalmente manda no mundo. Tô louca pra assistir o filme zeitgeist que trata do tema.

De mala pra sacola, estou tentando me concentrar nas metas pra 2009. Quero publicar a porra do livro. Entrei em contato com um cara da Não Editora que é de uma gurizada nova. Achei muito legal a parada, vou ligar pra ele mais tarde. Tomara que dê pra encaixar meu projeto na linha editorial deles. Quero que a porra do livro vire filme. O Zé Padilha me retornou um e-mail dizendo que o final do ano foi fudido mas que breve vai ler o que mandei e dai entra em contato. Cruzo os dedos. Tem que rolar. Tomara que ele curta muito a história. Se não rolar por aí, ataco com o plano B. A Tatá que conheci no claro curtas falou do livro pra um diretor lá do Rio. Ele ficou super interessado.

De sacola pra mochila, tô produzindo um programa sobre como a cultura hip hop serve de ferramenta para inclusão social. Vai ficar massa. Falei com o Perna e vou fechar o programa com o case dele. Descobri que o fofo tinha sumido porque tá namorando. Que bonitinho, primeira namorada. Descobri também que não era paixão nem nada do tipo e sim sexo. E me dei conta dum troço muito louco. Nós, mulheres nos apegamos e apaixonamos tão fácil pra justificar o sexo. Já a maioria dos homens não precisa disso. Acho que é um mecanismo bastante cultural. Por exemplo, a guria vai lá fica com o cara e transa na primeira saída (ou única). Grande parte das mulheres fica sentindo uma espécie de culpa ou autocrítica. Porque infelizmente por mais que as coisas tenham evoluído no que tange a guerra dos sexos, mulher que dá pra todo mundo é puta e homem que come todo mundo é fodão. Então, a gente fica fazedo histórinhas na cabeça, romanceando uma relação que foi puramente carnal, só pra justificar o sexo.

De mochila pra necessaire, mandei o livro pro Lucas, meu ex-namorado da época em que tive a lesão. Bah, essa história tá mexendo comigo. Duma hora pra outra passei a pensar um montão nele e ficar imaginando como esse revival (porquê tem muita cousa que a gente viveu escrita no livro) vai ser recebido por ele. Tô curiosa pra saber que tipo de sentimento essas lembranças vão despertar. Veremos. Ele ficou de me dar um feedback após a leitura.

Enfim, de necessaire pra niqueleira. Estou lendo um livro sobre uma história impressionante. 'A história de minha vida' de Helen Keller. Ela ficou surda e cega devido a uma doença quando tinha apenas 1 ano e meio de idade. Aprendeu a se comunicar e usar a linguagem (tô louca pra descobrir como!)e escreveu 14 livros. Sem dúvida, uma história extraordinária de superação. Caralho, deveria ser absurdo o vazio e o sentimento de solidão antes dela conseguir se comunicar. Recomendio.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Luisa

Foi bom demais Natal e Ano Novo em família. Especialmente por ter meu manão por perto e a minha sobrinha-afilhada-criança-mais-linda-do-mundo juntinho. Ela é uma paixão. E não é só babação de dinda, não. Presta atenção e me diz se ela é ou não é uma criança incrível.
A tia Lu deu de natal pro nenê um kit de desenho com bloco, canetinhas, lápis de cor e giz de cera. Ela amou o presente. No dia seguinte, sentada no chão pra brincar de colorir, ela olhou pra mim e deu dois tapinhas com a palma da mão no chão, tipo 'senta aqui pra pintar comigo, dida'. A vovó e eu explicamos pra ela que a dinda não tinha como ir pro chão. A vovó buscou uma cadeira, um apoiador e explicou pro nenê que ela teria que sentar na cadeira pra poder pintar com a dida. Ai, ela entendeu tudo e coisa mais fofa do mundo ajudou a juntar o bloco e os lápis pra cima do apoiador.


Outro momento muito marcante pra mim durante esse convívio natalino com a minha sobrinha foi a nossa grande conquista sobre a distância da minha cadeira ao chão. Eu não tenho controle de tronco suficiente pra pega-la com meus dois braços e senta-la no meu colo. Mas, como a união faz a força, descobrimos uma maneira dela 'escalar a dida'. Deve dar agonia de ver, mas funciona: ela se posiciona na frente da dida, põe os pé em cima dos meus e estica os bracinhos. Eu seguro seus bracinhos com os meus brações e jogo o peso do meu corpo pra trás pra gente não emborcar pra frente. Nós duas nos peidamos fazendo força e tcham-tcham a Luisa consegue escalar a dida! Daí é só alegria: nós assistimos vídeos engraçados de gato e cachorro no youtube (ela adora), nós brincamos de colorir na mesa de jantar, a gente brinca de carrinho (eu seguro ela e a vóvo empurra minha cadeira), e assim vai.
Agora me diz, é ou não é uma criança maravilhosa?
Ela faz eu me sentir incluída, sabe? E faz da maneira mais espontânea possível. Faz com a honestidade que só uma criança de 1 ano e meio tem.