segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Baratas, HPS e otras cositás más

O final de semana foi intenso. Muito trabalho na sexta, sábado fui jantar com um bofe. Pensa, primeiro encontro, o cara paga a janta japonesa e em contribuição eu tenho um pirepaque e vou parar no hps. Só acordo em casa e vejo um esparadrapo na mão. Bebi quase nada, mas apaguei. Imagino que foi uma queda de glicemia, às vezes tenho isso. Mas, o fato é que apaguei na mesa do bar e o bofe teve que me carregar. Primeiro encontro com muita emoção :S
E no domingo mais emoção. Tô bem relaxada no banho, cantarolando de olho fechado e quando vejo tem uma barata gigante e de uma feiúra inigualável bem na minha frente, na parede, tipo, poucos centímetros da minha cara. Uma mulher andante sai correndo ensaboada nessa hora. E a aleijada, hã? Me diz? Como fugir sentada na cadeira de banho?
Bom, aos prantos me escondi atrás da cortina do box e comecei a berrar pela minha irmã. Ela tava malhando com o som a mil e não ouviu. Sorte que meu telefone celular tava ali perto. Tremendo de medo e nojo do baratão, liguei e só consegui falar:" vem cá agora, pelo amor de deus!" A louca veio achando que tinha entrado um ladrão, já pronta pra sair no matacobra. Eu só falava "me tira daqui, me tira daqui, tem uma barata horrível".
A mana me puxou pra fora do banheiro peladona de cadeira higiênica e tudo e foi tentar matar a barata.
Pensa numa mulher de 1,80m tentando matar a barata afogada com o chuveirinho enquanto samba e dá gritinhos. A barata mutante não morria. Pela gritaria os vizinhos deveriam ter chamado a polícia. No final da história, sobrevivemos as duas, e a maldita barata morreu.
Mais tensão que isso, só assistindo o Cisne Negro. Recomendo. O filme, não a barata no box.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Zzzzzzzzz

Pata-que-paréu. Que sono. Tanks god, amanhã é sexta. Final de semana vou hibernar.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

E na rodoviária de Porto Alegre

Nesse findi aconteceram coisas engraçadas. Fui buscar na rodoviária meu amigo Mauri que também é cadeirante e veio passar uns dias em porto. Cheguei cedo, fiquei esperando, tive que fazer um mix. Comecei a lavar as mãos, mas lavar mesmo, sabe como é chão de rodoviária. Quando vi, estava vazando água e como não sinto o pé, percebi a inundação tarde demais. Meu sapato novo tinha virado o piscinão de ramos e o pé esquerdo estava submerso em água e sabão. Tirei o sapato e no estilo desenho animado esvaziei a água dele na pia. Peguei horrores de papel e foram vários minutos tentando secar a porcaria.
Bueno, passado o episódio do pé no aquário encontrei meu amigo. Eu tinha deixado o carro na vaga pra cadeirantes que existe na rodoviária e é cuidada por um moleque mais errado que nós dois. Eu acho que ele é surdo (pq não fala, apenas emite grunhidos) e tem tb não bate bem das ideias. O fato é que chegamos no carro e o guri veio cheio de boa vontade nos ajudar. Entrei no carro e tentei explicar como colocar a cadeira no porta malas, mas o maluco não escutava. E o excesso de boa vontade não deixava tempo do guri aprender como fazer. Por fim, ele conseguiu colocar minha cadeira no porta malas com a ajuda do Mauri. Tipo, o Mauri foi o cérebro da operação e o moleque executou. O problema é que o cérebro agora estava dentro do carro. Na hora que o Mauri transferiu pro carro, o guri pegou a cadeira e começou a tentar socá-la inteira no banco de trás. Óbvio que não ia caber. Mas, no afã da boa vontade o guri soltava uns gritinhos e tentava enfiar a cadeira pela porta. Eu e o Mauri gritávamos: nãaaao, tem que desmontar! Mas, ele não ouvia. Nisso tinha uma louca estacionada ali do lado, assistindo a comedia da vida aleijada de camarote. Depois de passados cinco minutos e o guri continuar tentando socar a cadeira ela viu que a coisa não ia evoluir e decidiu ajudar. Tanks god. Mauri ensinou como desmontar a cadeira e deu tudo certo. Ai, o guri veio na minha janela, deu uma grunhidela e fez sinal de 'dá um dinheirinho'. Os pilas valeram mais pelas risadas do que pela ajuda, né?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Back again

Depois das férias incríveis, tive uma incrível pneumonia. Yeah, ar condicionado gelado, calor escaldante, cigarrinho de menta e imunossupressores não combinam. No laudo médico estava escrito 'BPC grave', bronco pneumonia grave. Dois terços do pulmãozito direito ficaram tomados de bactérias e tomei na veia uma cacetada de antibióticos. Perdi a conta de quantas vezes me furaram as veias em dez dias de internação. O recorde foi uma sequencia fenomenal de seis agulhadas e nada de sangue. Meus acesos venosos são difíceis. Quase fui pra uti, fiquei no oxigênio, tive uma constipação bizarra que quase me fez ir pra faca e sobrevivi. Mais uma vez, vaso ruim não quebra.
Foi foda, passei mal, ruim mesmo. Mas, ao mesmo tempo foi bom. Parei de fumar, estou mascando chicletes de nicotina para afastar a rabugice e a abstinência. Revi atitudes e consegui finalmente estabelecer as metas para 2011: trocar de carro (passatão dá muita manutenção), morar sozinha (quase trinta na cara morando com a mamãe não dá!), trabalhar na rébs, voltar a malhar e fazer os alongamentos das pernas direitinho e fazer a porra do livro virar filme.
O negócio é deitar de noite e visualizar os objetivos. O negócio é durante o dia tomar as atitudes certas para conseguir o que se quer. O negócio é acreditar que tudo é possível e que se somos todos feitos da mesma inhaca, se uma pessoa pode, porque eu não poderia? Não tem uma pá de aleijado que mora sozinho? Então eu também vou conseguir. Vai ser difícil? Com certeza, pelo menos no começo. Vai ser foda ter que levantar pra buscar copo de água ao invés de escravizar os andantes da casa, mas tudo tem solução: frigobar do lado da cama!

E a bipolaridade segue a mil. Tem dias que tudo faz sentido e a vida vale a pena. Tem dias que não acho lugar no mundo e respirar é um sacrifício. Terapia now. Mais um objetivo.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Soco no Olho

Ano Novo é sempre um momento de reflexão, né? A gente pára pra pensar na vida, rever projetos, decidir o que fazer com o tempo. Depois da lesão, o Ano Novo tem pra mim também uma carga pesada. Tipo, mais um ano que se vai e eu ainda não voltei a caminhar. Ou, mais um ano de cadeira. Depois da virada de ano fantástica (conto breve) em Floripa com a família, já de volta a porto alegre, eu tava nesse climinha de autopiedade quando fui pro salão me arrumar. Nada melhor do que um 'trato' na carcaça pra levantar o astral de uma mulher.
E no vuco vuco de escovas e secadores comecei a trocar uma ideia com uma das clientes. A guria se chama Ananda, tem 26 anos e uma vida de perdas que me deixou perplexa. Saca a tragédia: Ela tem como irmãos um casal de gêmeos que nasceram prematuros. A menina ficou cega na encubadora e tem autismo. A mãe deles teve depresssão pós parto e se matou 10 dias depois que os gêmeos nasceram. Pulou da janela de um prédio. Ananda tinha 5 anos. Aos 8, perdeu o pai num acidente de trânsito. Cada irmão foi criado por um parente.
Amanhã, Ananda se forma em Direito e olhando pra ela tu jamais diria que ela teve que superar tanta coisa. Foi um soco no olho, no melhor estilo 'acorda e pára de reclamar da vida'.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

As últimas

Bah, não tenho tido tempo de escrever e isso não é bom. Botar pra fora me faz tão bem. Bueno, no momento o que me tira do sério é uma infecção urinária maldita que faz eu me mijar nas calças a cada meia hora. Essa parte do kit tragédia, ninguém merece. Faz nove anos que tenho uma infecção atrás da outra, cultivo super bactérias, fico sem beber por conta dos antibióticos e gasto uma grana também com eles. No mais, mijo, mijo e mais mijo. Ninguém merece fazer xixi na cama aos 29 anos de idade! Já tentei de tudo, cramberry, profilaxia, bruxaria... Tomara que 2011 seja um ano menos infectado... Além do sr. xixi, uma contratura também maldita tem me encomodado bastante. É foda, sobrecarga nos braços e nas costas. Tô que é o corcunda de notre dame, com uma bola de tênis no esternocleidomastoide. Dói pra dormir, dói pra respirar, dói sem fazer nada. Saco cheio de dor física! Uma hora ela começa a atrapalhar a psiquê do ser.
Lamúrias à parte, hora de contar como foi a passeata em SP.
É sempre uma alegria ir pra terra da garoa, encontrar os amigos, e ficar na casa do meu amigão Sid. Coca cola, cigarrinho e bom papo. É sempre uma alegria estar com tio Sid! E dessa vez foi mais divertido ainda, porque minha amigona Cinthya, aleijada mto louca de Curitiba também foi pra passeata e ficou no hostel da Vila Maria, hehehe.

Chegamos um pouco atrasados na passeata mas foi massa igual, deu tempo de aproveitar bastante as atrações (eram muitas!). Foram dez horas de shows e manifestações. Como representante do movimento superação de Porto Alegre, fui convidada subir no palco e falar algumas palavrinhas.

No palco, trovando sobre superação

Fiz uma trova gaudéria:

“Não queremos esmola, e sim o direito de ir à escola.
Não queremos caridade, e sim o direito à oportunidade.
Não queremos olhares com cara de pena, e sim mostrar que a vida sempre vale a pena.
Não queremos complacência, e sim mostrar que competência e inteligência podem estar lado a lado com a deficiência.

Queremos acessibilidade para andar por toda parte, em qualquer cidade.
E pra fazer valer o que está na constituição, é que eu luto junto com o Superação.”

A galera do Superação Rio, do Superación e as outras filiais que estão brotando por esse Brasil de meu Deus também falaram.
Encontrei um amigão por lá, o Pastel. Quando vi ele estava com um crachá de imprensa. Estranhei, afinal o maluco não é jornalista nem nada. Ele aplicou um migué na produção pra poder circular no backstage. O retardo aqui decidiu fazer a mesma coisa e saímos para entrevistar as pessoas. Eu como repórter e o Pastel de fotógrafo. Começou como brincadeira, mas lembrei que podia usar aqui e no Sem Barreiras o material coletado!

Juju e Pastel com os crachás de imprensa

A "matéria" ficou assim:

O Movimento Superação se superou. A sétima edição evento em São Paulo reuniu centenas pessoas com e sem deficiência de vários estados do Brasil. O governador do Estado e a Secretária dos Direitos das Pessoas com Deficiência Linamara Rizzo Battistella estiveram lá. Será que em Porto Alegre este ano o Tarso vem?


São Paulo tem se esforçado para melhorar sua acessibilidade. Luis Mauch, da ONG Mais Diferenças que realiza junto com o Superação a Passeta, diz que ainda falta muito para a maior cidade da América Latina ser 100% acessível, mas muito já foi feito. Lá, já existe 650km de calçadas acessíveis, mas deve faltar 20 mil km para ser feito. Luis, acredita que é preciso comprometimento da sociedade e implementação das políticas públicas. "Falta as pessoas em geral entenderem que a acessibilidade melhora a vida não só das pessoas com deficiência, mas de todo mundo. Precisamos construir rampas subjetivas, na cabeça das pessoas, para que elas tenham comprometimento com a causa", diz.

Nos últimos anos, o Superação tem ganhado parceiros. O Movimento tem crescido, e cada vez mais rampas subjetivas tem sido construidas. Na Argentina, sob o comando o Pilar Nieva, o Superación já está em sua terceira edição. Cerca de 400 pessoas participaram da última manifestação. "O número dobrou em relação ao ano passado e triplicou o número de filiais", conta Pilar.

O Superação tem ganhado também apoio de artistas. No Vale do Anhangabaú, pudemos prestigiar os shows de Luiz Melodia, Baby do Brasil e também da banda NXZero. A banda teen animou a galera e colocou as fãs em contato com uma realidade desconhecida: a deficiência."

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Bum!

Mil coisas pra contar, sem tempo pra caralho pra escrever. Espero amanhã poder colocar as fofocas em dia! Babados da passeata do superação em sp, da semama de valorização da pessoa com deficiência em brasilia e outras aventuras de aleijado em poa!